Avel Alencar, diretor do Sindicato dos Profissionais de Processamento de Dados do Distrito Federal, de 42 anos, admitiu que foi o responsável pela confecção de 3 mil cartazes com uma fotomontagem do presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), vestindo um uniforme de nazista. Em entrevista ao jornal O Globo na tarde desta quarta-feira, o sindicalista disse que pagou os serviços de gráfica com um cheque de sua própria conta, no valor de R$ 1.060.
Os pôsteres apócrifos foram colados em pontos de ônibus do Eixo Monumental e em paredes do Setor Comercial Sul, em Brasília. Nos cartazes, o senador aparece com a suástica (símbolo do nazismo) no braço, carregando na mão uma revista Veja cuja manchete é “Juntos contra o PT”. Além disso, os pôsteres trazem, ao lado da figura do senador, a frase “Vamos acabar com ‘este’ raça. Preto, pobre e operário nunca mais!”. O cartaz imita um quadro antigo e traz sob a pintura a frase “Herr Bornhausen”, que significa senhor Bornhausen em alemão.
Em nota divulgada no site do PFL, Bornhausen disse que os cartazes foram feitos com “dinheiro podre” da corrupção do governo Lula. “Esta, sim, é uma atitude nazi-fascista! Nada me intimida, continuarei a fazer uma oposição responsável e fiscalizadora”, disse o senador na nota. Antes da confissão de Avel Alencar, o PFL acusou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, de ser o autor dos cartazes. Marinho, por sua vez, informou nota divulgada ontem à tarde que considera uma leviandade as afirmações que atribuem a ele a responsabilidade pelos cartazes.
Avel Alencar disse que está pensando em processar Bornhausen por prática de racismo, já que o pefelista disse que a crise política envolvendo o PT livraria o país "dessa raça" de políticos pelos próximos 30 anos. Avel Alencar acrescentou que foi uma decisão pessoal sua e que não teve participação de nenhum integrante do governo ou do PT. O sindicalista acrescentou que não pretende parar. “Peguei gosto. Vou fazer outros cartazes”, disse ao jornal carioca.