O diretor-geral da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, informou ao jornal Estado de S. Paulo que há indícios de montagem na lista do caixa 2 de Furnas. A lista relaciona 156 políticos, a maioria do PSDB e PFL, que teriam recebido dinheiro, na campanha de 2002, por meio de doação ilegal de empresas públicas e privadas que têm negócios com a estatal do setor elétrico. Paulo Lacerda recomenda cautela a quem pretendia usar a lista com fins eleitorais: "Foram constatadas inconsistências no conteúdo."
De acordo com o diretor-geral, a PF continuará investigando "a motivação" de quem fez e divulgou o documento. Caso a lista tenha sido fruto de uma mente fantasiosa, o autor pode sofrer as penas da lei. A PF não descarta o caixa 2 em Furnas, mas vai aprofundar as investigações. É possível que muitos nomes tenham sido plantados ou colocados indevidamente como recebedores.
Só o deputado cassado Roberto Jefferson (PTB) confessou ter recebido R$ 75 mil de Furnas. Entregue à PF pelo lobista Nilton Monteiro, que diz ter testemunhado o esquema, a lista contém nomes de quase todos os partidos, a maioria da oposição. Entre eles, tucanos como os candidatos a presidente, Geraldo Alckmin, e ao governo de São Paulo, José Serra.