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Circula entre servidores do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) uma nota técnica elaborada pela Comissão de Ética do órgão que pretende coibir as manifestações políticas contrárias ao governo nas redes sociais dos agentes ambientais.
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Segundo a nota, que ainda não foi publicada no Diário Oficial da União (DOU), têm sido recebidas denúncias de condutas de servidores que atentam contra o Código de Ética dos Servidores Públicos. Entre elas estão manifestações contra políticos específicos, ocupantes de cargos no Executivo e Legislativo; posições contrárias a projetos de lei do Congresso e atos do governo; manifestações contra exonerações e nomeações de servidores para cargos de chefia; e compartilhamento de notícias veiculadas na imprensa.
Servidores do órgão receberam o texto como uma “Lei da Mordaça” que visa limitar a liberdade de expressão dos servidores nas redes sociais e intimidá-los. Segundo eles, o documento se insere em um contexto de silenciamento dos agentes ambientais empreendido desde o começo do governo do presidente Jair Bolsonaro.
No ano passado, o governo já vinha tomando medidas de enfraquecimento das estruturas ambientais, tanto em direção a servidores quanto à sociedade civil. Em 2019, o participação de entidades em conselhos de controle social foi reduzida ou anulada. Mudanças no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e no Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH) são alguns dos exemplos.
O presidente da Associação Nacional dos Servidores Ambientais (Ascema), Denis Rivas, acredita que a nota técnica extrapola os limites legais. “Parece interferência na liberdade de manifestação, de pensamento dos servidores. À medida que isso extrapola a legislação existente e toma forma em um Código de Ética, nos parece um abuso de autoridade que visa amordaçar os servidores”, disse Rivas.
Veja abaixo a nota técnica:
Além da nota, que ainda possui caráter extraoficial, a gestão de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente (MMA) tem limitado o diálogo com a imprensa e centralizado qualquer forma de comunicação na assessoria de imprensa oficial.
Em março, o presidente do Ibama, Eduardo Bim, oficializou a restrição do acesso da imprensa aos servidores do órgão. Segundo a Portaria nº 560/2020, o contato de representantes do Ibama com a imprensa deve ser intermediado pela Assessoria de Comunicação (Ascom) ou por pessoa por ela designada. A norma também determinou que as chefias devem reportar qualquer tentativa de contato direto com jornalistas.
“Ibama e ICMBio têm autonomia porque são autarquias, então eles deveriam exercer essa autonomia na comunicação com o público”, avaliou Rivas. Para ele, ao limitar o relacionamento com a imprensa, a gestão Salles limita o próprio diálogo com a sociedade.
Caso a nota técnica seja oficializada, com publicação no Diário Oficial, a Ascema pretende contestá-la judicialmente. “É difícil saber até onde vai a ousadia no desmonte dos órgãos ambientais”, disse Rivas sobre a possibilidade de denúncias na imprensa inibirem o avanço do desmonte dos órgãos de gestão ambiental.
Procuradas sobre a nota técnica, as assessorias de imprensa do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama não responderam até o fechamento desta reportagem.