Os mais recentes indicadores da segurança pública brasileira merecem ser celebrados, mas também examinados com seriedade, responsabilidade e espírito republicano. Os dados consolidados no Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 atestam uma evolução expressiva: o Brasil atingiu, de forma inédita, a meta nacional de redução de homicídios prevista originalmente para 2027, antecipando em dois anos um objetivo de elevada relevância estratégica para o país.
As conquistas são superlativas. A taxa de Mortes Violentas Intencionais (MVI) recuou para 19,1 por 100 mil habitantes, o menor patamar da série histórica. Em relação ao ano anterior, a queda foi de 8,2%, enquanto o decréscimo acumulado entre 2012 e 2025 alcançou 31%. Essa trajetória descendente também se manifestou em outras frentes criminais: os roubos de celulares diminuíram 18,6%, assim como as lesões corporais seguidas de morte, as mortes violentas de crianças e adolescentes e os registros de estupro.
No mesmo período, registrou-se retração nos casos de violência letal e suicídios entre policiais civis e militares, evidenciando que a preservação da vida dos agentes de segurança se consolidou como diretriz de Estado no Governo Lula.
Esses resultados decorrem do esforço cotidiano das forças policiais e das instituições de justiça, somado à retomada do protagonismo federal a partir de 2023, sob a condução do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Poder Executivo recolocou o tema no centro das prioridades nacionais e estimulou a articulação federativa entre União, Estados e municípios.
O fortalecimento institucional encontra respaldo em dados orçamentários concretos. Na comparação entre o último ano da gestão anterior e os valores atuais do governo Lula, os investimentos na Polícia Rodoviária Federal cresceram mais de 40%, enquanto os recursos destinados à Polícia Federal aumentaram 41%.
Esses aportes viabilizaram a ampliação das operações de inteligência, o sufocamento financeiro das organizações criminosas e o combate rigoroso ao tráfico de armas e entorpecentes nas fronteiras. Como resultado, as apreensões de drogas atingiram 1,4 mil toneladas de maconha e 117,4 toneladas de cocaína que deixaram de ingressar no Brasil em 2025. Em relação a armas de fogo, foram 300 apreendidas por dia no país no ano passado, conforme dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O governo federal ainda propôs iniciativas estruturantes, como a PEC da Segurança Pública, o aprimoramento do Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) e a ampliação do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), assegurando bilhões de reais em repasses aos entes federados para modernização tecnológica e renovação de frotas.
Ainda no âmbito federal, foi lançado o programa Município Mais Seguro, que vai injetar mais de R$ 170 milhões em guardas municipais de 215 cidades brasileiras. Ele integra essas corporações ao Sistema Único de Segurança Pública (SUSP) para fortalecer a prevenção e a segurança cidadã. O Congresso Nacional, por sua vez, teve também papel importante, ao aprovar o novo marco regulatório da segurança privada e o endurecimento das normas contra a lavagem de dinheiro.
No Paraná, nosso mandato tem atuado ativamente na viabilização de recursos, destinando emendas parlamentares à Polícia Rodoviária Federal e a ações de prevenção à criminalidade. Outra frente foi a articulação com a União, pela qual o estado recebeu R$ 151,6 milhões em repasses voltados à segurança pública e R$ 46,3 milhões destinados ao Fundo Penitenciário, visando à modernização, à segurança e à dignidade do sistema prisional paranaense.
Os números mostram que a eficácia na segurança pública não se constrói com discursos simplistas ou polarizações ideológicas, mas com planejamento estratégico, valorização profissional, investimentos permanentes e estrito cumprimento do Estado Democrático de Direito.
Reconhecer os avanços documentados no Anuário de Segurança Pública de 2026 não significa ignorar os enormes desafios que ainda persistem — como a sofisticação do crime organizado, a violência contra mulheres e populações vulneráveis e a letalidade das forças policiais—, tampouco denota complacência. Significa, antes de tudo, atestar que políticas públicas fundamentadas na ciência e na cooperação federativa produzem resultados reais: vidas preservadas. Cada homicídio evitado representa uma família que não foi destruída.
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