Artigos

A importância de uma bancada para os trabalhadores brasileiros no Congresso Nacional

A classe trabalhadora não conta com uma articulação parlamentar que defenda seus direitos e necessidades em Brasília.

18/8/2026
Publicidade
Expandir publicidade

O trabalho mudou no século XXI. A tecnologia transformou profissões, surgiram novas funções e ocupações, a inteligência artificial começou a remodelar ocupações e a transição energética já altera cadeias produtivas inteiras. A chegada do novo milênio transformou o mundo do trabalho, mas sua representação política no Brasil ainda não acompanhou essa transformação.

O Congresso Nacional, especialmente a Câmara dos Deputados, conta com bancadas organizadas que defendem legitimamente diferentes setores da sociedade. Há representantes do agronegócio, da indústria, das igrejas, da segurança pública e de inúmeros segmentos econômicos. Falta, porém, uma articulação permanente voltada à maioria dos brasileiros: aqueles que vivem do próprio trabalho, seja de carteira assinada ou empreendendo em negócios próprios.

É nesse contexto que surge a proposta de criação da Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras. Inédita, a iniciativa busca reunir parlamentares comprometidos com a defesa dos direitos e interesses dos trabalhadores, do empreendedorismo por opção, a igualdade de gênero no mundo do trabalho e o desenvolvimento social. A nova bancada não pretende se contrapor às demais articulações parlamentares existentes, mas preencher uma lacuna histórica da democracia brasileira ao dar voz organizada ao mundo do trabalho. Sem uma bancada permanente, as pautas do mundo do trabalho tendem a perder espaço diante de setores e segmentos que já atuam de forma coordenada.

Hoje, milhões de brasileiros trabalham por aplicativos, conciliam diferentes ocupações, abrem pequenos empreendimentos ou enfrentam vínculos empregatícios cada vez mais flexíveis. Paralelamente, a indústria passa por uma profunda transformação, impulsionada pela tecnologia e pela transição energética, exigindo políticas públicas capazes de proteger trabalhadores, qualificar profissionais e preparar o país para uma nova realidade, na qual a inteligência artificial ganha cada vez mais protagonismo, alterando radicalmente os métodos e modelos de produção.

Não podemos tratar a IA como inimiga. Mas temos o desafio de usá-la a nosso favor para que os ganhos de competitividade e produtividade com o emprego dela sejam revertidos em melhores salários e menores jornadas de trabalho, com o lucro do uso da tecnologia sendo repartido entre empresários e trabalhadores.

As relações de trabalho mudaram, mas sua representação política não. Uma frente parlamentar pode dar voz organizada a quem vive do próprio trabalho.Magnific

A Bancada dos Trabalhadores e Trabalhadoras nasce com esse olhar. Entre seus compromissos estão a valorização do trabalho como eixo do desenvolvimento nacional, a redução da jornada sem perda salarial, a proteção dos trabalhadores de plataformas digitais, a reindustrialização do país, uma política tributária mais justa, a equiparação salarial de gênero e o fortalecimento das políticas de geração de emprego e renda. E o caminho institucional para essas conquistas é a criação de uma Frente Parlamentar dos Trabalhadores, o que não há na Casa hoje.

A iniciativa vem conquistado apoios de parlamentares em todo o país, como o da ex-governadora, deputada federal e candidata ao Senado no Rio, Benedita da Silva (PT-RJ) a deputada federal e candidata à reeleição Talíria Petrone (Psol-RJ) e lideranças políticas em diversos Estados, como Minas Gerais, Distrito Federal, Bahia, Pernambuco, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Outro foco de atuação são as assembleias legislativas estaduais. Nossa proposta é que cada casa parlamentar local tenha sua própria bancada dos trabalhadores e trabalhadoras, para representar e defender a classe trabalhadora de cada Estado.

Na Alesp, deputados como Eduardo Suplicy (PT) já se comprometeram com as pautas da Bancada. Diversos parlamentares estão fazendo o mesmo em outras assembleias pelo país afora.

E a proposta vem ganhando adeptos de peso também fora do ambiente legislativo. Nomes como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dos ministros Luiz Marinho e Guilherme Boulos já vestiram a camisa da Bancada. Mais do que o respaldo de personalidades influentes da vida pública, a articulação expressa o reconhecimento de que a democracia também depende de uma representação mais equilibrada entre os diferentes atores da sociedade civil organizada.

As relações de trabalho mudaram e seguirão mudando. Se existem bancadas organizadas para representar diversos setores econômicos e sociais, é natural que também haja uma articulação voltada àqueles que movimentam diariamente a economia brasileira e geram a riqueza do país. O novo mundo do trabalho exige novas respostas — e elas começam por uma representação política forte, consistente e à altura dos desafios do nosso tempo.


O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Congresso em Foco. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para redacao@congressoemfoco.com.br.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Artigos Mais Lidos