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O Banco Master e seu impacto no mundo do futebol

Relações entre instituições financeiras, clubes e casas de apostas expõem os riscos por trás dos grandes patrocínios esportivos.

14/9/2026
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O Banco Master é a maior fraude bancária do Brasil e está comprometendo, em especial, a possibilidade de muitos servidores públicos de se aposentarem, já que tiveram seus recursos aplicados em papéis podres deste Banco. No prosseguimento das investigações, já sabemos sobre os métodos que seu proprietário usava para cooptar vastos setores da sociedade. No entanto, tem uma dimensão que está quase esquecida dentro das várias estratégias dos gestores desta fraude envolvendo o futebol. Quando observamos mais atentamente os uniformes de grandes times brasileiros, podemos ver que esse segmento teve muita relevância. Quando olhamos para a camisa do Flamengo, podemos observar o patrocínio do Banco BRB, que se mantém mesmo depois da liquidação do Banco Master e da revelação do grande volume de recursos do BRB aplicado no Banco Master.

De acordo com dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), entre 2018 e 2023, o BRB aumentou em 1.500% os gastos com patrocínios, saindo de R$ 7,68 milhões em 2018 para R$ 129 milhões em 2023. O levantamento realizado a pedido do Sindicato dos Bancários de Brasília considera o aumento desproporcional, considerando que o montante equivale a 63% do "lucro anual" dessa instituição pública. Dentre os principais beneficiários dos patrocínios do BRB está o Flamengo, que recebeu mais de R$ 153,18 milhões entre 2020 e 2023. Para 2024, foi previsto um acréscimo de R$ 40 milhões em patrocínio. Além do futebol carioca, existe também o apoio ao automobilismo, como, por exemplo, aos pilotos Lucas Foresti, Enzo Elias e Gabriel Bortoleto.

Patrocínios de instituições financeiras e casas de apostas se espalharam pelas camisas dos principais clubes do país.Marcelo Cortes / CRF

Vale salientar que o BRB, por ser um banco estatal regional, não precisaria ter anúncios em campeonatos nacionais e mesmo internacionais, como a Libertadores e o Mundial de Clubes. Esse Banco tem poucas agências dentro e fora de Brasília. Neste caso, em particular, esse banco acabou lançando um novo produto financeiro que consistia numa linha de crédito voltada para os torcedores do Flamengo. Segundo o jornal Correio Braziliense, de 04/11/2023, a parceria do BRB com o Flamengo resultou na criação da plataforma digital Nação BRBFla, que tem se mostrado um péssimo negócio, de acordo com o Relatório do Conselho Fiscal da instituição, ao qual o Correio teve acesso. Esse relatório aponta que o total de operações lançadas como prejuízos já supera a atual carteira de crédito em vigor. As perdas com a Nação BRBFla somavam, em 30 de junho deste ano, R$ 455 milhões, enquanto a carteira ativa totalizava R$ 433 milhões. Dos empréstimos concedidos pela plataforma e que ainda estão em vigor, 25,9%, o correspondente a R$ 112 milhões, estão com atraso acima de 90 dias.

Em mensagens de WhatsApp encontradas pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero, ficou indicado que Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, também seria proprietário da Pixbet, casa de apostas que chegou a patrocinar clubes do Brasileirão, como Cruzeiro, Corinthians e Flamengo. A Pixbet, na época da troca de mensagens (outubro de 2024), já estava na camisa do Flamengo, pagando o maior contrato de patrocínio do futebol brasileiro. A seguir, o patrocínio dessa casa de apostas foi substituído no meio do ano passado, quando o Fla acertou a rescisão contratual que levou à chegada da Betano, que patrocina o Brasileirão e também tinha patrocinado o Mundial de Clubes.

Quando olhamos para a camisa do Palmeiras, observamos o patrocínio do Banco FICTOR, que foi suspenso após o escândalo do Master ser revelado. Vale lembrar que, quando se aproximava a liquidação do Master, após o Banco Central ter impedido a compra do Master pelo BRB, foi divulgado que o FICTOR iria comprar o Master. Devemos lembrar que essa fraude teve início em gestão anterior devido à flexibilização de normas do BACEN. Todavia, em seguida, o Banco Fictor entrou em recuperação extrajudicial. Quando estávamos vendo os intervalos dos jogos, aparecia Vinícius Júnior fazendo propaganda do Wil bank. Em seguida ao estrago do Banco Master, o Wil bank também foi liquidado, pois essa instituição integrava o conglomerado do Banco Master.

Quando olhamos para a camisa do Atlético Mineiro, não está visível que Daniel Vorcaro detinha 25% da SAF que controla esse time, segundo funcionário de Vorcaro em mensagem analisada pela PF. Nas camisas da maioria dos times de futebol do Brasil, temos, de forma aberta, a propaganda das BETs, que têm levado a um maior endividamento familiar e ao desvio de parte da renda da população mais pobre das feiras, dos supermercados e das lojas comerciais e gerado uma crescente dependência das apostas online. De forma velada, tínhamos anúncios de empresas associadas à maior fraude bancária. O futebol brasileiro não pode continuar a ser patrocinado por BETs e por instituições financeiras praticantes de fraudes que comprometeram as aposentadorias e pensões de tantos servidores públicos nos respectivos Regimes Próprios de Previdência Social. Tão grave quanto isso é ver que os principais jogadores e ex-jogadores da seleção se transformaram em garotos-propaganda das casas de apostas.


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