O perfil da composição partidária e da correlação de forças que sairá das urnas vai definir a dinâmica de funcionamento interno do Congresso Nacional e, externa, em relação aos demais Poderes da República, o Executivo e Judiciário.
Nestas eleições, esse perfil deve se manter muito parecido com o da atual legislatura, segundo o "Prognóstico do Novo Congresso Nacional a partir de 2027", divulgado pelo DIAP, que mapeou os partidos, federações e os candidatos competitivos em cada Estado.
A quantidade de candidatos à reeleição, combinada com o acesso privilegiado na distribuição do fundo eleitoral e os recursos das emendas parlamentares executadas ao longo do mandato, potencializa as chances de reeleição e garante aos incumbentes e aos partidos que representam vantagens em relação aos demais concorrentes.
Em média, segundo estudos do próprio DIAP, 65% dos deputados federais candidatos à reeleição obtiveram sucesso na renovação dos seus mandatos. E, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Portal Congresso em Foco, 10% ou 744 dos candidatos ficaram com 57% da verba de campanha na eleição da Câmara, sendo que mais da metade desses recursos se concentram nos 438 deputados federais à reeleição.
Akira Pinto Mendes e Bruno Speck, pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), que desenvolveram três modelos de aprendizado de máquina com dados de quatro ciclos eleitorais brasileiros — 2010, 2014, 2018 e 2022, concluíram também que a receita de campanha e situação de incumbência são os principais fatores preditivos.
Segundo os estudiosos, a cada milhão de reais adicional gasto em campanha, aproximadamente quadruplica as chances de eleição de um candidato. O efeito é enorme e persistente em todos os anos e distritos. Deputados que já ocupam o cargo têm chances de eleição quase 5,5 vezes maiores que as dos desafiantes, mantendo-se todo o restante constante. Essa vantagem diminui após a proibição de doações empresariais de 2015 — os incumbentes dependiam fortemente de redes de doadores já estabelecidas, e a proibição nivelou um pouco o campo de disputa —, mas o chamado prêmio de incumbência nunca desaparece.
Partidos e federações
Confirmadas essas constatações e, segundo as projeções do DIAP, o PP/União desponta como a maior bancada potencial da próxima legislatura. Com 98 deputados na composição atual, o grupo teria média projetada de 107 cadeiras e poderia alcançar 121. Caso a projeção média se confirme, assumiria isoladamente a liderança da Câmara.
O PL, por sua vez, figuraria como a segunda maior bancada, embora com retração em relação ao resultado de 2022. A legenda elegeu 99 deputados naquele ano e conta atualmente com 98. Para 2027, a média projetada é de 91 cadeiras, em uma faixa estimada entre 78 e 103.
A federação PT/PCdoB/PV constituiria a terceira maior bancada. As três legendas elegeram 81 deputados em 2022 e contam atualmente com 82 parlamentares. A média projetada pelo DIAP é de 87 cadeiras, com possibilidade de alcançar 100, patamar próximo ao teto de 103 projetado para o PL.
Entre os partidos de porte médio, o PSD apresenta tendência de crescimento. A legenda elegeu 42 deputados em 2022 e teria média projetada de 52 cadeiras, situando-se na quarta posição entre as maiores bancadas.
O Republicanos também apresenta tendência de crescimento. Após eleger 40 deputados em 2022, a legenda teria média projetada de 48 cadeiras, ocupando a quinta posição. O MDB, por outro lado, apresenta perspectiva de retração: das 42 cadeiras conquistadas em 2022 e das 38 que detém atualmente, passaria a uma média de 35 deputados.
O Podemos apresentaria crescimento em relação ao resultado eleitoral de 2022. A legenda elegeu 18 deputados naquele ano, conta atualmente com 27 e teria média projetada de 27 cadeiras, podendo alcançar 30.
O PSDB/Cidadania, embora tenha passado de 18 deputados eleitos em 2022 para 19 na composição atual, apresentaria média projetada de 13 cadeiras para 2027, indicando possível redução de sua representação na próxima legislatura.
E nas legendas de menor porte, o PSB teria média projetada de 19 cadeiras, acima das 14 conquistadas em 2022. O PDT, que passou de 17 deputados eleitos naquele ano para os atuais 10, teria média projetada de 11 cadeiras. E o Avante e Novo apresentariam média projetada de quatro cadeiras cada. Solidariedade/PRD teria nove, enquanto Missão contaria com uma cadeira.
Correlação de forças
Com base nessa projeção partidária, também é possível definir a correlação de forças pragmática, programática ou ideológica dentro da Câmara dos Deputados.
A primeira, com base nas médias projetadas pelo DIAP, o "Centrão" deve ser o grande vitorioso dessas eleições, que, além do PP/União (107), do PSD (52), Republicanos (48), MDB (35), Podemos (27), Solidariedade/PRD (9) e Avante (4), somaria 282 cadeiras na Câmara dos Deputados, número superior aos 257 votos exigidos para a maioria absoluta.
Nos cenários mínimos projetados pelo DIAP, essas legendas reuniriam cerca de 230 cadeiras; nos cenários máximos, aproximadamente 330, reforçando o papel estratégico que o grupo deverá desempenhar na próxima legislatura.
O segundo bloco seria o de centro-direita à direita; o PL (91), PSDB/Cidadania (13), Novo (4) e Missão (1) alcançariam 109 cadeiras, também conforme a média das projeções. Esse grupo ainda deve considerar Podemos, PSD, Republicanos e PP/União, que juntos somam 343 parlamentares.
E o terceiro seria o de centro-esquerda à esquerda, que seria composto por PT/PCdoB/PV (87), PSB (19), PSOL/Rede (18) e PDT (11), somando 135 cadeiras, conforme a média projetada.
Portanto, caso se confirmem essas projeções, a expectativa é de baixa renovação na Câmara, maioria predominante de partidos do centro à direita e com um "Centrão" maior numericamente e com mais influência decisória e legislativa na próxima legislatura.
O próximo presidente da República permanecerá o desafio de lidar com essa complexa correlação de forças dentro do Congresso que tem exercido cada vez mais um papel decisivo tanto na produção legislativa quanto na execução orçamentária, especialmente por meio das emendas parlamentares.
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