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Problemas graves no país que prioriza interferir no quintal alheio

Diesel caro, estoques pressionados e gargalos logísticos atingem os EUA mesmo com a produção de petróleo próxima de níveis recordes.

2/10/2026
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A situação energética dos Estados Unidos, neste início de outubro de 2026, é de forte pressão sobre combustíveis, principalmente diesel e gasolina. Mas não se trata de uma falta generalizada de petróleo ou de eletricidade no país. O problema central é a combinação de petróleo internacional caro, estoques de derivados baixos, mercado de diesel muito apertado e dificuldades logísticas.

1. Combustíveis: preços elevados

Segundo a U.S. Energy Information Administration, em 28 de setembro:

Local/ Gasolina regular

Média EUA - US$ 4,465/galão – R$ 23,17

Califórnia - US$ 6,189 – R$ 32,12

Washington - US$ 5,453 – R$ 28,30

Nova York - US$ 4,405 – R$ 22,86

Flórida - US$ 4,282 – R$ 22,22

Ohio - US$ 4,263 – R$ 22,12

Texas - US$ 3,841 – R$ 19,94

Ou seja, o Texas ainda está abaixo da média nacional, mas isso não significa que o Estado esteja sem problemas de abastecimento.

2. O maior problema atualmente é o diesel

O diesel chegou a US$ 6,382 (R$ 33,12) por galão na média nacional em 28 de setembro, contra US$ 3,754 (R$ 18,55) aproximadamente um ano antes. Os estoques americanos estão particularmente pressionados.

No Texas, a situação ganhou caráter emergencial: o governador Greg Abbott declarou estado de desastre por causa dos preços elevados e da escassez de diesel, suspendendo determinadas restrições ao transporte comercial para facilitar a movimentação de combustível e mercadorias. Isso é importante porque o diesel movimenta caminhões, máquinas agrícolas, construção, ferrovias e parte da indústria. Portanto, seu encarecimento tende a chegar também aos preços dos alimentos e de outros produtos.

3. O curioso: os EUA estão produzindo muito petróleo

Não existe atualmente uma queda da produção americana que explique sozinha a crise. Na semana encerrada em 25 de setembro, os EUA produziram cerca de 13,955 milhões de barris/dia, próximo do recorde histórico. O problema está mais adiante na cadeia: petróleo bruto - refinarias - diesel/gasolina - transporte - consumidor.

As refinarias vêm trabalhando em níveis muito elevados, enquanto os estoques de gasolina e principalmente de destilados/diesel estão apertados. Na semana de 25 de setembro, a utilização das refinarias caiu para 92,5%, enquanto a produção de petróleo continuava próxima do recorde.

Petróleo internacional mais caro e estoques baixos de derivados pressionam gasolina e diesel, com efeitos sobre fretes, agricultura e inflação.Magnific

4. Por que o Texas é especialmente importante?

O Texas é o coração energético dos EUA.

Ele concentra enormes volumes de: petróleo, gás natural, refino, petroquímica, exportação de combustíveis e geração elétrica.

Por isso, uma crise internacional de petróleo afeta o Texas de maneira peculiar: o Estado produz muito petróleo, mas os preços internos continuam ligados ao mercado mundial. A produção elevada não significa que o texano necessariamente compre gasolina barata.

5. E a eletricidade no Texas?

Aqui existe outro problema, diferente do combustível.

A rede elétrica texana, administrada principalmente pelo ERCOT, sofreu uma pressão muito forte durante o verão. Em 22 de julho de 2026, a demanda atingiu um recorde histórico de 91,1 GW, impulsionada pela onda de calor.

E há uma questão estrutural: o Texas está recebendo enormes investimentos em data centers, inteligência artificial, indústria e mineração, aumentando a necessidade de eletricidade.

Portanto, o desafio texano é duplo: combustíveis caros + demanda elétrica crescente.

6. E os outros Estados?

A situação varia bastante. A gasolina é particularmente cara na Costa Oeste, especialmente na Califórnia. Em 28 de setembro, a média californiana chegou a US$ 6,189/galão (R$ 32,12), contra US$ 3,841 (R$ 19,94) no Texas.

A Califórnia inclusive antecipou a utilização da gasolina de inverno para aumentar a oferta e tentar reduzir a pressão sobre os preços. A EPA também renovou medidas temporárias relacionadas às especificações dos combustíveis na Califórnia, Arizona e Texas.

Vários outros Estados também estão adotando medidas temporárias, como suspensão ou redução de impostos sobre combustíveis e flexibilização de determinadas regras.

7. Qual é a causa principal?

O fator externo mais importante neste momento é a guerra envolvendo EUA e Irã e seus efeitos sobre o comércio mundial de petróleo e derivados.

Em 30 de setembro: Brent: US$ 103,50/barril (R$ 537,17) - WTI: US$ 90,42/barril (R$ 469,28). O Brent acumulava alta de aproximadamente 14% no mês. Isso ocorre apesar de os EUA produzirem volumes recordes de petróleo.

A situação atual pode ser representada assim: Guerra e instabilidade no Oriente Médio > petróleo internacional mais caro > combustíveis refinados mais caros > estoques de diesel muito baixos > fretes e agricultura mais caros > pressão sobre alimentos e inflação.

E, paralelamente: Texas demanda elétrica recorde + crescimento de data centers/indústria = pressão sobre ERCOT e necessidade de ampliar geração e transmissão.

Portanto, não é correto dizer simplesmente que "os Estados Unidos estão sem energia". O quadro atual é mais específico: há abundância de produção de petróleo e gás, mas forte aperto no mercado de combustíveis refinados, sobretudo diesel, enquanto a eletricidade enfrenta desafios regionais de capacidade e demanda, especialmente no Texas.

Desde que tomou posse pela segunda vez na presidência dos EUA, Donald Trump, do Partido Republicano, priorizou interferir na guerra entre Rússia/Ucrânia, ajudar Israel no genocídio da Faixa de Gaza e entrar numa guerra sem sentido algum contra o Irã, além de interferir diretamente na Venezuela para roubar petróleo e outras riquezas daquele país, por trás de um discurso mentiroso sobre democracia. Sem contar que está investindo pesado para tumultuar a eleição brasileira.

O preço a ser pago é um país com sérios problemas estruturais no que tange a água, energia e combustíveis, além dos números impressionantes de rejeição ao seu presidente. Segundo os dados da CNN/SSRS o índice é de cerca de 67% de rejeição e apenas 33% de aceitação. Os números não mentem.


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