O senador Pedro Simon (PMDB-RS) defendeu hoje, na CPI dos Bingos, que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, peça demissão do cargo para responder às acusações de que teria comandado um esquema de arrecadação de propina quando era prefeito de Ribeirão Preto (SP).
"Há um grau de notícias, de fato, que afeta a credibilidade dele. É melhor ele se afastar e enfrentar, do que ficar com medo", declarou o senador, referindo-se ao depoimento do caseiro Francenildo dos Santos Costa na CPI. Por ser ministro, Palocci tem foro privilegiado, que lhe dá o direito de ser processado apenas no Supremo Tribunal Federal (STF).
A situação do ministro ficou mais delicada na última segunda-feira, quando Francenildo revelou que ex-assessores da prefeitura de Ribeirão Preto reuniam-se em uma casa no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, para repartir o dinheiro levantado ilegalmente no município paulista.
O caseiro, que trabalha na casa, disse que Palocci esteve com o grupo várias vezes. A versão contraria o depoimento do próprio ministro, que afirmou à CPI nunca ter estado na casa.
"Os fatos estão se acumulando", disse Simon. O senador disse que o Congresso tem tratado Palocci com "carinho especial", mas com a sucessão de notícias negativas sobre o ministro, está difícil aceitar que ele fique no cargo.
"Recomendo ao ministro que medite muito, pois conforme for o depoimento do caseiro, creio que ele deva considerar um afastamento, ainda que temporário, do Ministério, pois não é bom para ele, para o ministério e para o governo essa situação", disse Simon, acrescentando que isso não significa que ele julgue que Palocci tenha culpa.
O depoimento de Francenildo foi encerrado há pouco, depois que o STF expediu um mandado de segurança para suspender a audiência. A oposição classificou a medida como uma manobra do governo.