João Francisco disse que só soube de corrupção em 2002
26/10/2005
Publicidade
Expandir publicidade
O irmão do prefeito de Santo André assassinado Celso Daniel, João Francisco Daniel, disse que, em 15 de janeiro de 2002, foi alertado pela primeira vez de que empresas da cidade eram obrigadas a contribuir com um caixa dois para financiar as campanhas do PT nas últimas eleições nacionais.
João Francisco, que presta depoimento neste momento à CPI, afirmou que a filha de um comerciante o procurou para avisar que o pai era obrigado a repassar R$ 40 mil do caixa da empresa para o partido.
“E a vi dizer que não adiantava falar com prefeito, com irmão de prefeito, bispo ou com o papa. Era obrigado a pagar para a caixinha de qualquer jeito”, afirmou João Francisco. O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, teria revelado ao irmão do prefeito, pouco depois do crime, a existência de um esquema de arrecadação de recursos irregular para financiar a campanha do partido. Carvalho também presta depoimento neste momento à CPI dos Correios.
Bruno Daniel, outro irmão de Celso Daniel, fez questão de ressaltar que o prefeito assassinado não lucrou com o esquema de arrecadação supostamente montado por Carvalho. “Ele nunca se beneficiou dos recursos. Ele queria construir um partido que poderia transformar o Brasil”, afirmou Bruno, que também está depondo na CPI.
Celso Daniel foi assassinado em 2002, quando era prefeito de Santo André. Ele foi seqüestrado depois de sair de um restaurante onde havia jantado e foi encontrado morto no dia seguinte em um matagal. Na época, a polícia considerou a hipótese de crime comum como a mais plausível. Porém, depois das denúncias de caixa dois envolvendo o PT, o caso voltou à tona, sob a suspeita de motivações políticas.