A Polícia Federal deve pedir o indiciamento do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci pela violação do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Os depoimentos do secretário de Direito Econômico, Daniel Goldberg, e do chefe de gabinete do ministro Márcio Thomaz Bastos, Cláudio Alencar, aumentaram os indícios de que partiu do ex-ministro a ordem para a quebra do sigilo do caseiro.
Goldberg confirmou que testemunhou a ida do então presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, à casa de Palocci no último dia 16. Segundo o secretário, o então ministro lhe perguntou se a PF poderia investigar Francenildo a partir da informação de que haveria uma movimentação financeira atípica na conta do caseiro. A resposta, negativa, teria sido dada no dia seguinte, após consulta a um delegado federal. A informação foi confirmada por Alencar. Os dois prestaram depoimento ontem à PF.
"Diante disso, não há mais o que discutir. Acho que sim, que há elementos para indiciá-lo (Palocci)", afirmou o procurador Gustavo Pessanha, a quem caberá decidir se haverá denúncia contra o ex-ministro na Justiça. Nesse final de semana, reportagens da revista Veja e do jornal Folha de S. Paulo apontaram Palocci como autor da ordem para a violação do sigilo do caseiro. Por meio de seu advogado, José Roberto Leal, o ex-ministro negou ontem qualquer envolvimento com o caso.
O relator da CPI, senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN), espera que Mattoso fale à CPI ainda nesta semana. "É ideal que ele (o ex-presidente da Caixa) preste depoimento o mais rápido possível para a gente conseguir avançar sobre os fatos novos." Também não está descartada a possibilidade de o ex-ministro da Fazenda ser convocado para prestar novo depoimento à CPI.
A revelação de que dois assessores do Ministério da Justiça estiveram na casa de Palocci no dia em que ele se encontrou com o presidente da Caixa levou a oposição a cobrar explicações do ministro Márcio Thomaz Bastos. "Eu mesmo defendi o ministro no passado quando foi acusado pelo doleiro Toninho da Barcelona. Mas nesse caso não pode ter trégua. Ele tomou conhecimento da quebra do sigilo e só se opôs quando viu o resultado", afirmou o líder da oposição na Câmara, José Carlos Aleluia (PFL-BA).