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Embaixador do Clima da Suécia avalia que saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris elimina oportunidades para o país na economia mundial. Foto: Joyce N. Boghosian/White House (via Flickr)
Logo no seu primeiro dia de governo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a saída do país do Acordo do Paris, principal iniciativa mundial de enfrentamento à crise climática. A decisão foi tomada com base no discurso de que políticas de transição à economia verde teriam ferido a economia americana, que retornará a um modelo voltado ao uso de combustíveis fósseis.
Em passagem por Brasília para tratar da COP30, o embaixador do clima da Suécia, Mattias Frumerie, expressou a jornalistas a leitura de que, ao sair do pacto, Donald Trump na prática enfraquece as oportunidades disponíveis ao desenvolvimento dos Estados Unidos.
“Por mais que nós lamentamos a decisão pela saída, nós também não conseguimos enxergar que isso seja em benefício deles. Enquanto o resto do mundo avança na transição climática, ele também colhe os benefícios dessa transição. (...) Eles estão perdendo a oportunidade de fazer parte desse movimento, de garantir com que a transição traga empregos ao seu povo”, disse o embaixador vinculado ao Ministério do Clima no governo sueco.
Um dos benefícios do desenvolvimento voltado à crise climática, conforme apontou Frumerie, trata exatamente de um dos pontos-chave da nova política econômica de Donald Trump. Em seu discurso de posse, o presidente americano anunciou o plano de expansão da escavação dos poços de petróleo no estado do Alaska, mirando tanto a exportação de combustível quanto a redução do preço interno.
Do outro lado, um dos pontos principais da transição climática é a chamada geração justa, que inclui a adaptação de setores que deixarão de existir diante do esgotamento de determinados recursos naturais para que seus trabalhadores permaneçam inseridos no mercado. Isso inclui a capacitação de petroleiros para após a depleção dos poços onde trabalham.
Mattias Frumiere acrescenta que, mesmo em outros setores, os Estados Unidos terão dificuldades para preservar seu nível de desenvolvimento fora do esforço mundial de transição econômica.
“A transição verde já acontece nos Estados Unidos, onde companhias suecas, brasileiras e de outros países investem e fornecem novas formas de tecnologia, tanto para a transição energética quanto para a indústria em geral. Nós vemos, por exemplo, que os custos com energia renovável já são menores do que os do uso de combustíveis fósseis. A partir de certo ponto, a equação econômica não vai mais se encaixar na [nova] abordagem adotada para a ação climática”, ponderou.