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AGU contrata escritório nos EUA para contestar sanções contra Brasil

Escritório Arnold & Porter Kaye Scholer LLP vai contestar tarifas e sanções contra autoridades brasileiras.

28/8/2025
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A Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou a contratação do escritório de advocacia norte-americano Arnold & Porter Kaye Scholer LLP para representar o Estado brasileiro em disputas relacionadas às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. O contrato, com valor máximo de US$ 3,5 milhões e duração de até 48 meses, prevê atuação exclusiva sob instruções da AGU.

Segundo o órgão, o escritório poderá contestar tarifas comerciais, bloqueio de ativos, restrições financeiras e suspensões de visto, além de defender interesses de órgãos da administração federal, estados, municípios e até de agentes públicos que tenham sido punidos em decorrência do exercício de suas funções.

AGU vai pedir ressarcimento de responsáveis por danos causados ao Brasil.Daniel Estevão/AscomAGU

Na prática, isso inclui possíveis medidas em favor de autoridades brasileiras que foram alvo de sanções recentes nos EUA, como o ministro Alexandre de Moraes, atingido pela Lei Magnitsky, e outros integrantes de governos e do Judiciário que tiveram vistos suspensos.

Experiência internacional

Fundado há mais de um século, o escritório Arnold & Porter é reconhecido pela atuação em litígios internacionais, regulação e comércio exterior, com mais de mil advogados em 16 sedes pelo mundo. A AGU destacou a "notória especialização" da banca, que já trabalhou em outras defesas jurídicas do Brasil em disputas comerciais e arbitragens internacionais.

Nos próximos dias, os advogados da firma vão apresentar análises preliminares, a partir das quais a AGU definirá as estratégias de atuação, em coordenação com ministérios diretamente envolvidos.

Custos e modelo de pagamento

O contrato foi firmado por inexigibilidade de licitação, mecanismo previsto na Nova Lei de Licitações (Lei 14.133/2021) para casos de contratação por especialização. O pagamento será realizado por demanda, conforme a complexidade dos serviços, o que significa que a União só desembolsará valores à medida em que as ações forem necessárias.

Além disso, a AGU informou que adotará medidas para buscar o ressarcimento junto a responsáveis por eventuais danos ao Brasil que tenham motivado as sanções.

Contratações no exterior

Essa não é a primeira vez que o Brasil recorre a escritórios privados fora do país. Atualmente, a AGU mantém 17 contratos ativos em 11 países. Essas contratações já foram utilizadas em casos de extradição de condenados pelos atos de 8 de janeiro.

Segundo a AGU, a prática é necessária porque advogados da União não têm habilitação para atuar em tribunais estrangeiros. Nessas situações, escritórios privados assumem a representação, mas sempre sob orientação direta dos advogados da União.

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