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Em reunião do Brics, Lula acusa Trump de "chantagem tarifária"

Presidente brasileiro condena ações unilaterais dos Estados Unidos contra membros do bloco.

8/9/2025
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O presidente Lula promoveu nesta segunda-feira (8) uma reunião virtual de debates entre líderes do Brics. Sem citar nomes, condenou as sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil e demais membros do bloco, acusando o presidente Donald Trump de atentar contra os princípios diplomáticos que regem as relações de livre-comércio internacional.

"A chantagem tarifária está sendo normalizada como instrumento para conquista de mercados e para interferir em questões domésticas", declarou o presidente. Ele disse que princípios fundamentais como as cláusulas de Nação Mais Favorecida e de Tratamento Nacional, que garantem igualdade nas relações comerciais, foram ignorados em poucas semanas. "Agora assistimos ao enterro formal desses princípios", afirmou.

Lula afirma que o mundo observa o "enterro formal" dos princípios de livre mercado entre países.Ricardo Stuckert / PR

Brasil e Índia foram os países mais afetados pelas tarifas de importação implementadas por Trump, que chegam a 50%. China e África do Sul também foram duramente afetados, com imposições de 30%.

O presidente também alertou para o risco de enfraquecimento das instituições multilaterais. Segundo ele, a Organização Mundial do Comércio (OMC) está paralisada, e as sanções extraterritoriais impõem barreiras à liberdade dos países. "A imposição de medidas extraterritoriais ameaça nossas instituições. Sanções secundárias restringem nossa liberdade de fortalecer o comércio com países amigos", completou.

Lula defendeu uma ação coordenada do Brics para fortalecer a integração econômica entre os países membros como forma de enfrentar o que chamou de ofensiva unilateralista. "Cabe ao Brics mostrar que a cooperação supera qualquer forma de rivalidade". Para o presidente, o bloco reúne "condições necessárias para promover uma industrialização verde" e liderar a reforma do sistema multilateral de comércio.

Questão ucraniana

Por outro lado, Lula elogiou o encontro de Trump com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Anchorage, no Alaska, para conversar sobre um acordo de paz na guerra da Ucrânia. "É preciso pavimentar caminhos para uma solução realista que respeite as legítimas preocupações de segurança de todas as partes. O encontro no Alaska e seus desdobramentos em Washington são passos na direção correta para pôr fim a esse conflito", ponderou.

O presidente brasileiro completou: "a Iniciativa Africana e o Grupo de Amigos para a Paz, criado por China e Brasil, podem contribuir por meio da promoção do diálogo e da diplomacia". Ele também criticou a declaração do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que anunciou o plano de assumir o controle da Faixa de Gaza, na Palestina. "É urgente colocar fim ao genocídio em curso e suspender as ações militares nos Territórios Palestinos".

Veja a íntegra do discurso.

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