O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quinta-feira (11) ter ficado "surpreso" com a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe de Estado.
Bolsonaro foi condenado por 4 votos a 1 na 1ª Turma do STF. Na dosimetria, os ministros fixaram a pena em 27 anos e três meses, sendo 24 anos e nove meses de reclusão e mais dois anos e seis meses de detenção, além de 124 dias-multa de dois salários mínimos cada.
"Eu achava que ele era um bom presidente do Brasil. E é muito surpreendente que isso tenha acontecido. É muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram", disse Trump a jornalistas ao deixar a Casa Branca, antes de embarcar para Nova York, onde deve assistir a um jogo de beisebol.
A declaração se soma a uma série de manifestações recentes do republicano em defesa de Bolsonaro. Durante o processo, Trump chegou a relacionar a tarifa de 50% sobre produtos importados do Brasil àquilo que chamou de "caça às bruxas" contra o ex-presidente brasileiro.
"Caça às bruxas"
As críticas também ecoaram no governo norte-americano. O secretário de Estado, Marco Rubio, usou seu perfil no X (antigo Twitter) para classificar a condenação de Bolsonaro como "injusta" e direcionou ataques ao relator do caso, ministro Alexandre de Moraes. Ele lembrou que Moraes é alvo de sanções pela Lei Magnitsky, mecanismo legal dos EUA que pune autoridades estrangeiras acusadas de violações de direitos humanos ou corrupção.
Na prática, as sanções impedem Moraes de manter contas em bancos que operem no sistema financeiro norte-americano, de realizar transações internacionais em dólar e de entrar nos Estados Unidos.
"Os Estados Unidos responderão adequadamente a essa caça às bruxas", escreveu Rubio.