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PF cumpre 66 mandados em nova fase da "Operação Sem Desconto"

Operação tem como objetivo aprofundar as investigações sobre esquema que desviou cerca de R$ 6 bilhões de aposentadorias e pensões.

9/10/2025
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A Polícia Federal (PF), com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quinta-feira (9) mais uma etapa da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema nacional de descontos associativos não autorizados em aposentadorias e pensões. Foram autorizados 66 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em oito unidades federativas: São Paulo, Sergipe, Amazonas, Rio Grande do Norte, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia e no Distrito Federal.

Segundo a PF, a ação tem como objetivo aprofundar as apurações sobre práticas suspeitas de inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa, e atos de ocultação e dilapidação patrimonial. Entre os crimes sob investigação estão estelionato qualificado, peculato, corrupção ativa, uso de documentos falsos, lavagem de capitais e organização criminosa.

Dados revelados em fases anteriores da operação revelam que o esquema envolvia a cobrança de mensalidades ou taxas no benefício de aposentados e pensionistas, muitas vezes sem autorização, por meio de associações ou entidades que se apresentavam como prestadoras de serviços ou conveniadas ao INSS.

Agente da PF em ação na nova fase da "Operação Sem Desconto" nesta quinta-feira.Divulgação/PF

Histórico e fases anteriores

Na primeira fase da operação, realizada em setembro, foram presas duas pessoas ligadas ao esquema: Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", e o empresário Maurício Camisotti. Na ocasião, a PF chegou a apreender bens de luxo, obras de arte e veículos de alto valor.

Estima-se que, entre 2019 e 2024, os prejuízos decorrentes dos descontos irregulares possam alcançar R$ 6,3 bilhões. Naquele momento, seis servidores públicos do INSS foram afastados.

A operação de hoje tem foco em três empresas apontadas como estruturadoras do setor de lavagem de recursos dentro do esquema. A PF apura ligações potenciais com servidores do INSS que teriam colaborado para viabilizar os descontos indevidos.

Ainda não há prazo definido para conclusão desta etapa ou para formalização dos indiciamentos. A Justiça pode requisitar bloqueios de bens, quebras de sigilo e prisões preventivas, conforme os resultados do aprofundamento das investigações. A PF e a CGU devem analisar os dados apreendidos nas buscas e cruzar registros bancários, movimentações patrimoniais e sistemas do INSS para delimitar responsabilizações.

O caso também é alvo de uma comissão parlamentar mista de inquérito (formada por deputados e senadores) no Congresso, a CPMI do INSS.

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