A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) criticou a elaboração de uma plataforma digital de apostas por parte da Caixa Econômica Federal. Em discurso no plenário, a parlamentar declarou que a iniciativa contraria a missão da instituição e expõe desnecessariamente a população a uma prática arriscada.
"A decisão da Caixa Econômica Federal de criar sua própria plataforma de apostas online, uma bet, representa talvez um dos maiores retrocessos morais e sociais da história recente do país", disse. "Trata-se de um movimento contraditório, perigoso e profundamente irresponsável".
Confira a fala da senadora:
Ela afirmou que a proposta contradiz o próprio discurso do governo, recorrentemente crítico às plataformas de apostas. "O mesmo governo que dizia querer controlar o dano agora decide que ele próprio será o agente da exploração, transformando um banco público, símbolo da confiança nacional, em uma casa de apostas oficial".
A senadora também se referiu à CPI das bets, concluída neste ano. "A gente fez uma CPI da bet aqui, a gente mostrou para o Brasil o horror, nós falamos mal de dono de bet, nós trouxemos gente aqui, gente foi presa na CPI, para quê? Para desqualificar as bets privadas, para a Caixa ter uma bet agora?".
Segundo a congressista, o uso da marca Caixa pode reforçar a adesão da população. "Aquelas pessoas que não acreditavam em bets, que tinham medo, porque tigrinho faz mal, agora vão acreditar em bet porque vai estar dentro de uma instituição que é séria".
Bet da Caixa
Prevista para ser lançada em novembro, a "bet da Caixa" será operada nos canais digitais e nas lotéricas, com estimativa de arrecadação de até R$ 2,5 bilhões em 2026. O lançamento está previsto para novembro. A operação usará o sistema de apostas de quota fixa, no qual o usuário conhece de antemão o valor que pode receber. A empresa Playtech - VS Technology venceu a licitação para implantar a plataforma.
A Caixa registrou três marcas com potencial de servirem como nome da plataforma: BetCaixa, MegaBet e Xbet Caixa. O acesso pelos usuários será condicionado à apresentação de documentos, reconhecimento facial e cadastro de dados bancários. Beneficiários do Bolsa Família ou do Benefício de Prestação Continuada não poderão utilizar.