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"Covarde" e "pastor da shopee": bate-boca suspende comissão da Câmara

Discussão entre parlamentares do Psol e do PL sobre a megaoperação no Rio terminou em gritos, ofensas e suspensão da sessão da Comissão de Segurança Pública.

30/10/2025
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Um bate-boca generalizado entre deputados do Psol e do PL marcou a reunião da Comissão de Segurança Pública da Câmara na terça-feira (28). O embate começou durante a discussão sobre a megaoperação policial no Rio de Janeiro, que deixou mais de 100 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, e terminou com gritos, ofensas pessoais e a suspensão da sessão por 20 minutos.

O tumulto envolveu diretamente o presidente do colegiado, Paulo Bilynskyj (PL-SP), o deputado Pastor Henrique Vieira (Psol-RJ) e a líder do Psol na Câmara, Talíria Petrone (RJ), além de parlamentares do PL, como Rodolfo Nogueira (MS) e o Sargento Fahur (PR).

Discussão sobre operação no Rio acirra ânimos

Henrique Vieira iniciou sua fala questionando os resultados da megaoperação e a política de segurança pública adotada no estado. O deputado prestou solidariedade aos familiares dos quatro policiais mortos na ação, mas criticou a forma com que o caso foi conduzido.

"A letalidade do Rio de Janeiro está dando certo? Isso é um espetáculo eleitoral responsabilizando o governo Lula por um problema histórico", afirmou o deputado.

O clima azedou quando Vieira acusou Bilynskyj de evitar o debate e o chamou de "covarde". O presidente reagiu imediatamente:

"Covarde é Vossa Excelência, que está aqui defendendo ladrão. Mantenha-se na sua posição e não ataque os membros desta comissão. O senhor não tem legitimidade para falar."

Em seguida, Bilynskyj cortou o microfone de Vieira, o que acirrou ainda mais os ânimos.

Talíria reage e cita caso de violência doméstica

Sentada ao lado do colega, Talíria Petrone interveio para defender o deputado do Psol e também chamou o presidente de "covarde". Na sequência, fez menção a um episódio de violência doméstica envolvendo Bilynskyj:

"Todo mundo conhece o seu passado e do que o senhor é acusado."

Irritado, o presidente respondeu: "Esta comissão não é baile funk. A senhora vai embora. A senhora não é bem-vinda aqui".

A deputada reagiu fora do microfone: "E você desliga o microfone, seu moleque? Você é um moleque".

Troca de insultos entre parlamentares

Enquanto a confusão se espalhava, outros deputados se envolveram. Ao deixar a comissão, Rodolfo Nogueira (PL-MS) se dirigiu a Talíria dizendo que "seu presidente é conivente com o tráfico" e "amigo de Nicolás Maduro".

A líder do Psol retrucou chamando o adversário de "miliciano safado". "Vai pra Caracas!", gritou Nogueira.

Talíria também discutiu com o Sargento Fahur (PL-PR), que a mandou "gritar no inferno". "Seu merda", rebateu a deputada. "Merda é você!", respondeu o paranaense.

Diante do caos, Bilynskyj suspendeu a sessão por 20 minutos. Ao retornar, os trabalhos foram retomados com nova fala de Henrique Vieira, que criticou o "autoritarismo" na condução da comissão.

Deputados denunciam tentativa de silenciamento

Nas redes sociais, Talíria Petrone afirmou ter sido "silenciada" e acusou Bilynskyj de censurar parlamentares contrários à política de segurança baseada em confrontos armados.

"O presidente da comissão silencia quem pensa diferente e defende uma política de segurança pública que só enxuga sangue", escreveu a deputada.

Henrique Vieira também divulgou vídeos do momento e disse que continuará denunciando o que chama de "barbárie policial e política".

Megaoperação é a mais letal da história do Rio

O pano de fundo da confusão foi a operação policial iniciada na segunda-feira (27) e intensificada na terça (28), voltada contra o Comando Vermelho (CV) nas comunidades do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio.

Segundo o Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (Geni/UFF), o número de mortos — mais de 100 até o momento — torna a ação a mais letal da história do estado.

A operação mobilizou forças estaduais e federais e reacendeu o debate sobre violência policial, letalidade e direitos humanos. Enquanto parlamentares da oposição defenderam a ação como necessária contra o crime organizado, integrantes da esquerda a classificaram como um "massacre de Estado".


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