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Alessandro Vieira critica parlamentares ligados ao crime organizado

Relator da CPI do Crime Organizado afirma ser necessário "colocar o dedo na ferida" para mudar a realidade do país.

9/12/2025
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Durante a sessão desta terça-feira (9), o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (PSB-SE), criticou a existência de parlamentares e integrantes de outros poderes que teriam campanhas ou atuações financiadas por facções criminosas.

"[No Senado] nós temos campanhas financiadas pelo crime organizado; na Câmara dos Deputados, da mesma forma; nas assembleias legislativas também. Este é um país que já teve presidente preso, ministro preso, senador preso, deputado preso, governador preso, prefeito, vereador, mas ainda não teve ministros dos tribunais superiores."

A declaração levou o senador Marcos do Val (Podemos-ES) a reagir. Ele classificou a fala como um "deslize acidental" e alegou que Vieira teria colocado todos os 81 senadores sob suspeita de ligação com o crime organizado, sugerindo que o relator revisasse sua fala para "blindar" a própria posição.

Vieira, porém, reafirmou o que disse. "A frase utilizada foi: campanhas financiadas pelo crime organizado. Quem trabalha para bet é financiado pelo crime organizado. Quem trabalha para lobby de banco que rouba dinheiro de aposentado é financiado pelo crime organizado. E cada um que vista a sua carapuça. Existe conselho de ética; estou à disposição. A realidade é muito evidente. Não vamos mudar o Brasil sem colocar o dedo na ferida", declarou.

O relator também criticou práticas que, segundo ele, foram "naturalizadas" no país, como contratações e pagamentos sem justificativa a pessoas próximas de autoridades. "Nós temos um país doente, e naturalizamos a doença. Eu não posso me conformar em naturalizar a contratação reiterada de esposas de ministro, como se advogadas fossem — porque são, devidamente registradas —, mas sem que se encontre um ato processual que justifique o volume de pagamentos. Isso foi naturalizado", disse.

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