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Bolsonaro recebe alta e volta à PF após Moraes negar domiciliar

Ex-presidente deixou hospital em Brasília após cirurgias e retomou o cumprimento da pena na PF. Defesa alegou risco à saúde, mas pedido de prisão domiciliar foi negado pelo STF.

1/1/2026
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O ex-presidente Jair Bolsonaro recebeu alta hospitalar nesta quinta-feira (1º) e retornou ao cumprimento da pena na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. A volta ao cárcere ocorreu após o ministro Alexandre de Moraes, do STF, negar o pedido da defesa para a concessão de prisão domiciliar humanitária.

Bolsonaro deixou no fim da tarde o hospital DF Star, onde estava internado desde 24 de dezembro. A internação ocorreu inicialmente para a realização de uma cirurgia de hérnia inguinal bilateral, mas o ex-presidente acabou submetido a outros procedimentos médicos ao longo do período, em razão de crises persistentes de soluço e episódios de hipertensão. Ao todo, foram realizados quatro procedimentos em cerca de sete dias, sendo três deles para bloqueio do nervo frênico.

Bolsonaro estava internado desde 24 de dezembro.Pedro Ladeira/Folhapress

Diante da previsão de alta médica, a defesa protocolou um pedido para que Bolsonaro não retornasse à sede da PF, alegando que o quadro clínico seria incompatível com a rotina prisional e poderia sofrer agravamento. Alexandre de Moraes rejeitou a solicitação e afirmou que não houve apresentação de fato novo capaz de justificar a prisão domiciliar.

Na decisão, o ministro destacou que os próprios laudos médicos indicam melhora do estado de saúde do ex-presidente após as cirurgias. Segundo Moraes, todas as prescrições médicas apresentadas pela defesa podem ser cumpridas integralmente na Superintendência da Polícia Federal, onde há plantão médico 24 horas, acesso a médicos particulares, fornecimento de medicamentos, acompanhamento fisioterapêutico e autorização para alimentação preparada por familiares.

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão após condenação por liderar a tentativa de golpe para reverter o resultado das eleições de 2022. Ele está detido na sede da PF desde 22 de novembro, após violar as condições da prisão domiciliar e romper a tornozeleira eletrônica. Antes disso, cumpria a pena em casa, em regime cautelar.

O último boletim médico, divulgado na quarta-feira (31), informou que uma endoscopia revelou a persistência de esofagite e gastrite. A equipe médica afirmou que Bolsonaro segue em tratamento para doença do refluxo gastroesofágico, realiza fisioterapia respiratória, utiliza CPAP durante a noite e adota medidas preventivas contra trombose.

Após a alta, o ex-presidente recebeu orientações de autocuidado, como fracionar a alimentação e evitar deitar logo após as refeições, além de manter curativos e atenção redobrada ao risco de quedas em razão do uso do CPAP. Durante a internação, Bolsonaro também solicitou o uso de medicamentos antidepressivos, que passaram a ser administrados sob supervisão médica.

A cela ocupada por Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal não é compartilhada com outros detentos e possui estrutura diferenciada em relação a presídios comuns. O espaço tem cerca de 12 metros quadrados, com cama, banheiro privativo, ar-condicionado, televisão e escrivaninha. As visitas são restritas e dependem de autorização prévia do STF, com exceção de médicos e advogados. Até agora, foram autorizadas visitas da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e dos filhos Flávio, Carlos e Jair Renan.

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