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Autoridades lamentam morte de Raul Jungmann e destacam legado público

Integrantes dos Três Poderes destacaram a atuação do ex-ministro e ex-deputado em diferentes esferas da vida política.

19/1/2026
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Autoridades dos três Poderes lamentaram a morte do ex-ministro Raul Jungmann, aos 73 anos, em Brasília, nesse domingo (18), e destacaram seu legado de compromisso com a democracia, o diálogo institucional e o serviço público. Jungmann enfrentava um câncer no pâncreas e estava internado no Hospital DF Star.

Com uma trajetória que atravessou mais de cinco décadas da vida pública brasileira, o pernambucano ocupou cargos centrais no Executivo e no Legislativo, além de atuar na iniciativa privada. Foi vereador, deputado federal por vários mandatos e comandou quatro ministérios nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer: Política Fundiária, Desenvolvimento Agrário, Defesa e Segurança Pública. Desde 2022, presidia o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram).

Raul Jungmann faleceu em decorrência de um câncer no pâncreas.Charles Sholl/Brazil Photo Press/Folhapress

O ex-presidente Michel Temer afirmou que o país perde "um brasileiro que soube servir ao país" em todas as funções que exerceu. "Por onde passou deixou sua marca. Fosse como ministro da Reforma Agrária, ministro da Defesa e Segurança Pública, fosse como grande parlamentar. Tristeza no plano cívico, saudades no plano pessoal", declarou.

Justiça

No Judiciário, o Supremo Tribunal Federal divulgou nota oficial em que lamenta a morte de Jungmann e o define como "um grande democrata". O ministro Alexandre de Moraes, vice-presidente da Corte no exercício da Presidência, recordou a atuação conjunta durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, quando trabalharam na coordenação da inteligência e da segurança do evento. Já o ministro Gilmar Mendes destacou a integridade e a "extraordinária densidade republicana" do ex-ministro, afirmando que sua trajetória se confunde com a própria história da redemocratização brasileira.

"O Brasil perde um grande homem público; eu perco um amigo", escreveu Gilmar Mendes, ao ressaltar a coerência democrática de Jungmann e sua defesa permanente do Estado de Direito e da solução dos conflitos pelo diálogo.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública também emitiu nota de pesar, reconhecendo os "relevantes serviços" prestados por Jungmann ao Estado brasileiro e manifestando solidariedade à família e aos amigos. "Jungmann prestou relevantes serviços ao Estado brasileiro e deixou importante contribuição à vida pública nacional. Neste momento de dor, o Ministério da Justiça e Segurança Pública manifesta solidariedade aos familiares, amigos e a todos os que conviveram com Raul Jungmann, expressando sinceras condolências", lamentou o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva.

Homenagem no Legislativo

No Congresso, parlamentares e lideranças partidárias de diferentes espectros políticos prestaram homenagens. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), lembrou que concedeu a Jungmann, em dezembro, uma Moção de Louvor em reconhecimento à sua trajetória e às lições de diálogo e respeito institucional. "Ficam as lições sobre diálogo, construção de pontes e respeito institucional", ressaltou.

O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), afirmou que a política brasileira perde "um dos mais capacitados e éticos homens públicos" que conheceu, destacando seu compromisso com o interesse público. "Uma trajetória marcada pelo compromisso com o diálogo, a democracia e a defesa das instituições", destacou o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

O senador Renan Calheiros (MDB-AL) classificou Jungmann como "um dos maiores pensadores e formuladores da nação", enquanto a senadora Eliziane Gama (PSD-MA) ressaltou sua atuação nos debates sobre segurança pública e defesa da soberania.

O senador Sergio Moro (União-PR) também usou as redes para prestar homenagem ao ex-ministro.

Fabiano Contarato (PT-ES) foi outro integrante do Senado a destacar a atuação política do pernambucano.

Amigos e aliados políticos também lembraram a capacidade de articulação e o perfil conciliador de Jungmann. O ex-ministro e ex-deputado Roberto Freire (Cidadania), companheiro desde a juventude no Recife, falou em "perda muito sentida". Os dois lideraram o processo de criação do PPS (hoje Cidadania), sucessor do PCB.

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, recordou a parceria de muitos anos no Parlamento e no Executivo. Mendonça Filho destacou o legado deixado para a política de Pernambuco e do país.

Minas e Energia

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, ressaltou a atuação recente de Jungmann no setor mineral e sua defesa dos minerais críticos e estratégicos. Segundo ele, mesmo nos últimos momentos, o ex-ministro manteve o entusiasmo e o senso de dever no trabalho à frente do Ibram.

Já o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, lembrou a atuação de Jungmann na campanha das Diretas Já e sua passagem pelo PCB. "Enquanto sua saúde permitiu participou, com generosidade e espírito democrático, do conselho dos ex-ministros do Desenvolvimento Agrário que montei como espaço de consulta e reflexão no ministério."

Em nota, o Instituto Brasileiro de Mineração informou que o velório será realizado em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos, atendendo a um desejo do próprio Jungmann. À frente da entidade, ele buscou impulsionar uma agenda de transformação do setor mineral, com foco na sustentabilidade e na construção de marcos legais para o desenvolvimento do país.

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