A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) deve retomar os trabalhos em 2026 com o objetivo de aprofundar as investigações sobre possíveis irregularidades em descontos aplicados a benefícios de aposentados e pensionistas.
A prioridade inicial será a análise de casos de empréstimos consignados supostamente contratados sem autorização dos beneficiários. Segundo o presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG), a expectativa é apresentar um relatório preliminar com base nas oitivas realizadas ao longo de 2025.
O prazo oficial de funcionamento da CPMI vai até 28 de março, mas Viana informou que está em articulação para prorrogar os trabalhos. Para isso, será necessário o apoio de, no mínimo, 171 deputados e 26 senadores.
"Estamos avançando na coleta de assinaturas para a prorrogação da CPMI porque os fatos investigados ainda exigem aprofundamento, responsabilidade e respostas claras à sociedade brasileira. Não é aceitável encerrar esse trabalho sem que todas as responsabilidades sejam devidamente apuradas", afirmou o senador.
Foco no setor financeiro
Desde o início das investigações, a CPMI do INSS realizou 51 reuniões, analisou cerca de 4,8 mil documentos, determinou 43 quebras de sigilo e identificou 108 empresas suspeitas de envolvimento em fraudes relacionadas a descontos associativos indevidos.
Na última reunião de 2025, Carlos Viana informou que as próximas oitivas serão concentradas em representantes de bancos, instituições financeiras e plataformas de pagamento.
Em publicação nas redes sociais, o senador reforçou o compromisso com a apuração. "Quero ser absolutamente claro: quem roubou o aposentado, o órfão e a viúva vai pagar e será exposto. A CPMI existe para isso, revelar os culpados, doa a quem doer, e garantir que a verdade venha à tona", declarou.