A política brasileira não entra em recesso durante o Carnaval — apenas muda de cenário. Longe dos plenários e gabinetes, parlamentares aproveitam a maior festa popular do país para reforçar a presença junto às bases eleitorais e ampliar a visibilidade pública.
Seja em blocos de rua, camarotes ou desfiles de escolas de samba, deputados e senadores transformam a folia em espaço de convivência política. Mesmo com a máxima de que o ano só começa depois do Carnaval, muitos congressistas iniciam seu enredo eleitoral já em meio a fantasias, adereços e purpurina.
Um dos exemplos é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Em 2025, o parlamentar desfilou pela escola de samba Império da Zona Norte, em Macapá. A agremiação apresentou o enredo "Issac e Sua Alegria: um conto de amor na passarela da folia", homenagem a Issac Menahem Alcolumbre e Alegria Peres, avós do senador, além de outras personalidades ligadas à formação do Amapá.
Algumas histórias que começam na avenida ultrapassam os quatro dias de festa. Foi durante o Carnaval de 2023 que a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) assumiram publicamente o relacionamento, ao protagonizarem um beijo enquanto ela desfilava pela Portela, no Rio de Janeiro. Desde então, o casal petista costuma combinar a folia com manifestações políticas, incluindo críticas à oposição e defesas de pautas do partido.
Recife, palco de um dos Carnavais mais tradicionais do país, também costuma reunir nomes da política nacional. Em 2024, o deputado federal Pedro Campos (PSB-PE) e o irmão João Campos (PSB), prefeito da capital pernambucana, aderiram ao visual platinado conhecido como "nevou", tendência popular nesta época.
Naquele mesmo ano, a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), noiva de João Campos, dividiu-se entre São Paulo e Recife durante o Carnaval. Em meio à campanha pela Prefeitura de SP, ela marcou presença nas ruas da capital paulista usando uma peruca platinada em referência ao visual do prefeito pernambucano. "Nevou em São Paulo", escreveu nas redes sociais.
Para parte dos parlamentares, o Carnaval também se torna espaço de afirmação política e social. A deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) costuma aproveitar o período para reforçar pautas defendidas por seu mandato.
Já a deputada Erika Hilton (Psol-SP) levou à Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, a defesa dos direitos da população trans. Em 2025, ela foi uma das homenageadas no desfile da Paraíso do Tuiuti, que contou a história de Xica Manicongo, considerada a primeira travesti documentada no Brasil.
"Seguiremos sendo resistência em um mundo que nos quer morta. E todas as vezes que formos colocadas na fogueira por sermos quem somos, reviveremos ainda mais forte na fumaça", afirmou a parlamentar ao comentar o desfile.