Vereadores de Campo Grande (MS) divergiram em relação à presença da cantora Valesca Popozuda no Carnaval da cidade. O parlamentar André Salineiro (PL) criticou questionou se a contratação de Valesca utilizou recursos públicos.
Salineiro afirmou não ter encontrado informações sobre a fonte dos recursos no Diário Oficial da Prefeitura de Campo Grande ou do Estado. Segundo o vereador do PL, a cantora utiliza letras "abertamente pornográficas" e incentiva a hiperssexualização.
"Trazer a funkeira Valesca Popozuda, que produziu e construiu sua carreira com base em letras abertamente pornográficas, que estimulam a hipersexualização e a linguagem chula. Eu me recuso a falar a letra das músicas de Valesca Popozuda."
Na sequência, Salineiro recitou letra de uma das músicas de Valesca Popozuda. Veja o momento.
O vereador disse que o show Valesca deve ocorrer em um ambiente privado, onde o acesso de crianças não é permitido.
"Como que uma mulher dessa vem para o Carnaval, e como a gente pode afirmar que crianças não são influenciadas por isso. A criança que está vendo o show dessa mulher vai ser influenciada. Quando existe contratação de artista com dinheiro público, a conversa muda. Se quiser trazer a Popozuda para fazer um show para adultos, iniciativa privada, beleza. Agora, com recurso público, onde é aberto para adolescentes e crianças, não."
Após o comentário, Salineiro declarou apoio a projeto de lei do vereador Rafael Tavares (PL) que proíbe a utilização de verba pública em eventos e serviços que exponham crianças e adolescentes a temas eróticos ou sobre orientação sexual (11.529/2025).
O vereador Jean Ferreira (PT) saiu em defesa do Carnaval local. O parlamentar petista defendeu que a associação entre os blocos e a sexualização de menores de idade é equivocada.
"A verdade é que quem sexualiza crianças é o ex-presidente Bolsonaro que falou que pintou o clima com uma menina de 14 anos e foi condenado por isso. Quem sexualiza a criança é o prefeito do PL lá de Araucária, no Paraná, que casou com uma menina de 16 anos. O que não se discute é que 80% dos casos de violência contra as crianças acontece dentro de casa."
Para Ferreira, a festividade faz parte da cultura brasileira. "O Carnaval é um evento que dá vida a um momento de identidade cultural de Campo Grande e de todo o Brasil. Um momento que reforça que a rua é para todo mundo ocupar e para todo mundo ser feliz", afirmou.
Carnaval
Presente durante a sessão, a representante do Aglomerado de Blocos de Carnaval de Rua de Campo Grande (ABC) Silvana Valu negou que a contratação tenha ocorrido por recursos públicos. Valu destacou que o show ocorrerá em um horário diferente à programação do bloco voltada ao público infantil.
"A atração que foi contratada veio com recurso próprio e vai se apresentar em um horário que não é destinado às crianças".
A contratação foi efetuada pelo bloco Fora Folia que reiterou, nas redes sociais, ter utilizado recursos de uma parceria privada entre empresários do setor de entretenimento.
"É importante esclarecer que a contratação da artista Valesca Popozuda para o Carnaval de rua de Campo Grande foi viabilizada por meio de parceria privada, entre empresários do setor de entretenimento que acreditam na força e no potencial da festividade.
O Carnaval da capital é hoje reconhecido como um evento que movimenta a economia, impulsiona o turismo e fortalece a cultura local, gerando oportunidades, renda e visibilidade para a cidade. Viva o carnaval de Campo Grande!"