Notícias

Vídeo: desfile sobre Lula é "tiro pela culatra", diz João Santana

Para ex-marqueteiro de Lula e Dilma, homenagem na Sapucaí é jogo em que "todos perdem" e só aumenta desgaste do presidente.

13/2/2026
Publicidade
Expandir publicidade

O marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas presidenciais vitoriosas de Lula em 2006 e de Dilma Rousseff em 2010 e 2014, afirmou que o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente pode produzir um "cenário de soma negativa" para o governo. Em vídeo publicado nas redes sociais, Santana avaliou que a aproximação do Planalto com o enredo carnavalesco envolve riscos políticos que superam eventuais ganhos simbólicos.

"Não sou Nostradamus nem Rasputin, mas recorrendo à teoria dos jogos, me parece que se produzirá um cenário de soma negativa, onde todos saem perdendo", disse. "O tiro pode sair pela culatra", alertou.

Publicitário e jornalista baiano, Santana foi um dos principais estrategistas de comunicação do PT no período de maior hegemonia eleitoral do partido. Em 2016, foi preso temporariamente na Operação Lava Jato sob acusação de receber recursos não declarados no exterior por serviços prestados às campanhas petistas e posteriormente firmou acordo de delação premiada. Após período afastado, voltou a atuar como consultor político, inclusive na campanha presidencial de Ciro Gomes (PDT) em 2022.

Enredo pró-Lula e participação de Janja

A escola levará à Marquês de Sapucaí o enredo "Do Alto do Mulungu Surge a Esperança: Lula, o Operário do Brasil". Além da homenagem musical à trajetória do presidente, está prevista a participação da primeira-dama Janja em carro alegórico, ao lado do presidente da Embratur, Marcelo Freixo, e da ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco. Lula não deve desfilar e planeja assistir ao evento em camarote da prefeitura do Rio.

Para Santana, o problema não está necessariamente em eventuais vaias no Sambódromo, mas na repercussão política fora do ambiente carnavalesco. "O maior risco não é o de vaias, mas a repercussão fora das bolhas de batucadas", afirmou.

Ele citou o interior de São Paulo, regiões do Sudeste e do Sul e o eleitorado evangélico como segmentos sensíveis. "Imagine qual será a reação no interior de São Paulo e em outros bolsões do Sudeste e do Sul, onde Lula precisa desesperadamente de votos. Imagine no meio evangélico", declarou.

Segundo o marqueteiro, o carnaval é tradicionalmente mais eficaz para a crítica e a irreverência do que para a construção de imagem institucional. "Carnaval se presta mais para a demolição do que para a construção de imagem de político", disse.

Judicialização e alerta do TSE

O desfile foi questionado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pelos partidos Novo e Missão, sob alegação de propaganda eleitoral antecipada. As siglas pediram a interrupção do desfile e a retirada de conteúdos relacionados ao samba-enredo das redes sociais.

O TSE negou a liminar. A relatora, ministra Estela Aranha, afirmou que não há, neste momento, elemento concreto que caracterize campanha antecipada e alertou para o risco de censura prévia. A presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, acompanhou o voto, mas ressaltou que a decisão não é "salvo-conduto" para eventuais ilícitos futuros. "Esse não parece ser um cenário de areias claras de uma praia, parece mais ser o cenário de areia movediça", afirmou.

Santana também criticou o que chamou de excessiva judicialização do episódio. "Não bastassem outros excessos, a judicialização da política chega agora ao terreno minado da politização do carnaval", afirmou.

Embate sobre recursos públicos

A Acadêmicos de Niterói está entre as escolas contempladas em parceria entre a Embratur e a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa), com repasse estimado em R$ 1 milhão por escola dentro de acordo mais amplo de R$ 12 milhões para o grupo especial.

O Novo sustenta que haveria desvio de finalidade no uso de recursos destinados à promoção do turismo para beneficiar politicamente o presidente. O governo afirma que não participa da escolha das escolas, feita pela Liesa. Pedido de suspensão do repasse foi rejeitado no Tribunal de Contas da União (TCU).

Sinal amarelo no Planalto

Nos bastidores, há preocupação no PT e em setores do governo de que o desfile seja explorado pela oposição e reacenda a polarização em momento sensível do calendário eleitoral.

Dirigentes avaliam que manifestações com identificação direta com o presidente podem ser interpretadas como promoção antecipada de candidatura, abrindo espaço para questionamentos jurídicos e desgaste político.

Para João Santana, espetáculos populares dificilmente se transformam em celebração controlada de imagem pessoal sem provocar reação.

Publicitário e jornalista baiano, ele foi um dos principais estrategistas de comunicação do PT no período de maior hegemonia eleitoral do partido. Em 2016, foi preso na Operação Lava Jato sob acusação de receber recursos não declarados no exterior por serviços prestados às campanhas petistas e posteriormente firmou acordo de delação premiada. Após período afastado, voltou a atuar como consultor político, inclusive na campanha presidencial de Ciro Gomes (PDT) em 2022.

Veja mais no portal
cadastre-se, comente, saiba mais

Notícias Mais Lidas

Artigos Mais Lidos