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Cerca de 80 parlamentares miram novos cargos; Senado é principal alvo

Deputados buscam o Senado, enquanto senadores tentam migrar para os governos estaduais. Levantamento exclusivo mostra quem já articula mudança de mandato.

27/2/2026
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Com duas vagas ao Senado em disputa por estado, a eleição de 2026 já começa a reorganizar o Congresso antes mesmo da abertura formal do calendário eleitoral. Levantamento exclusivo do Congresso em Foco identificou 78 parlamentares — 61 deputados federais e 17 senadores — que estudam disputar cargos diferentes dos atuais. Na lista estão também parlamentares licenciados que comandam hoje ministérios no governo federal. A maioria dos deputados mira o Senado. Já entre os senadores, o destino preferencial são os governos estaduais.

O movimento tem direção política clara: partidos da direita e do centro-direita concentram a maior parte das apostas majoritárias.

O número antecipa uma eleição com potencial de redesenhar bancadas e tensionar negociações nos Estados. Em 2026, cada unidade da federação precisará acomodar uma chapa majoritária com um candidato a governador, um a vice e dois ao Senado; quatro posições estratégicas para dividir entre partidos, federações e lideranças regionais.

Em muitos Estados, os arranjos ainda estão longe de uma definição. Parte dessas pré-candidaturas tende a ser ajustada até a oficialização das chapas.

A Câmara corre para o Senado

Dos 61 deputados que estudam disputar cargos diferentes, 48 aparecem como pré-candidatos ou cotados ao Senado. A movimentação é coerente com o desenho eleitoral: duas vagas ampliam as chances de vitória e estimulam alianças improváveis, dobradinhas e composições cruzadas.

O histórico recente ajuda a dimensionar o fenômeno.

2018 (duas vagas em disputa ao Senado):

  • 41 deputados federais disputaram o Senado
  • 16 se elegeram

2022 (uma vaga em disputa ao Senado):

  • 24 deputados federais disputaram o Senado
  • 7 se elegeram

Embora viável, candidatar-se ao Senado é uma aposta de risco para deputados. Quem deixa a Câmara para concorrer a cargos majoritários e perde a eleição fica sem mandato a partir do ano seguinte.

Ainda assim, o Senado oferece dois atrativos difíceis de ignorar: mandato de oito anos e peso institucional. É ali que se sabatinam ministros do STF, se julgam autoridades, se votam reformas constitucionais e se realizam julgamentos políticos que moldam a correlação de forças em Brasília. Eleger o maior número de senadores possível virou prioridade tanto para o governo quanto para a oposição este ano. O bloco majoritário tem maior potencial para eleger o presidente da Casa e definir os rumos de votações, CPIs e até impeachment de ministros de tribunais superiores.

Senadores miram governos

Se deputados veem o Senado como ascensão, senadores enxergam no Executivo estadual uma plataforma de projeção política. Entre os 17 senadores mapeados, 15 aparecem como pré-candidatos ou cotados a governador.

Há exceções: Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surge como presidenciável, enquanto Mara Gabrilli (PSD-SP) deve disputar vaga na Assembleia Legislativa paulista.

A conversão do mandato no Senado em vitória no Executivo costuma ser difícil. Em 2022, apenas Jorginho Mello (PL-SC), dos 17 senadores que disputaram governos estaduais, conseguiu se eleger. Em 2018, o cenário foi mais favorável: dos 14 integrantes do Senado que se lançaram na corrida para governador, três saíram vitoriosos: Ronaldo Caiado (GO), Gladson Cameli (AC) e Fátima Bezerra (RN).

Ainda assim, lançar um senador ao governo cumpre papel estratégico: liderar palanque, inclusive para candidaturas presidenciais, negociar alianças e fortalecer a chapa ao Senado.

Deputados que querem virar senadores, o fluxo predominante na movimentação dos parlamentares que buscam mandatos diferentes dos atuais.Arte Congresso em Foco

Quem joga "tudo ou nada"

Para os senadores que estão no meio do mandato, o risco é menor. Essa é a situação de nove senadores cotados para disputar o Executivo que ainda têm mais quatro anos de cargo garantidos, mesmo que percam neste ano nas urnas. Situação mais desafiadora vivem oito senadores em fim de mandato, que podem ir para o "tudo ou nada". Essa é a situação de: Eduardo Girão (Novo-CE), Flávio Bolsonaro, Izalci Lucas (PL-DF), Jayme Campos (União-MT), Mara Gabrilli, Marcos Rogério (PL-RO), Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB).

Estados onde o mapa ferve

A maior concentração de parlamentares que podem buscar mandatos diferentes em outubro se dá em Minas Gerais (com 8 possíveis candidatos), São Paulo (7), Ceará (6), Rio Grande do Sul (6) e Tocantins (5). São estados grandes ou politicamente fragmentados, onde acomodar quatro posições majoritárias exige negociação delicada.

Em Minas Gerais, o senador Rodrigo Pacheco é apontado como nome defendido pelo presidente Lula para disputar o governo. Pacheco, porém, ainda não definiu seu rumo. Caso opte pela corrida ao Executivo estadual, deverá deixar o PSD, já que o partido em Minas integra grupo político diferente do seu. MDB e União Brasil tentam atraí-lo.

No Paraná, o senador Sergio Moro (União-PR) lidera pesquisas para o governo, mas enfrenta resistência do PP dentro da federação União Progressistas (União + PP). Como os partidos atuam conjuntamente, a candidatura pode depender de um acordo interno — ou de eventual troca de legenda.

Em Tocantins, o deputado Vicentinho Jr. trocará o PP pelo PSDB nas próximas semanas, porque a federação da qual seu atual partido faz parte (União Progressistas) decidiu lançar a senadora Professora Dorinha (União-TO) ao governo. Sem espaço no arranjo federado, Vicentinho buscou nova sigla para viabilizar a candidatura.

O mesmo motivo deve levar o senador Efraim Filho (União-PB) a se filiar ao PL para concorrer a governador na Paraíba. A federação deve lançar o atual vice-governador, Lucas Ribeiro (PP), à sucessão estadual. Esses são apenas alguns exemplos que ilustram como federações partidárias e alianças nacionais impactam diretamente os projetos estaduais.

Direita lidera a movimentação

A distribuição partidária entre os 78 parlamentares mapeados é a seguinte:

  • PL: 21
  • União Brasil: 13
  • PP: 10
  • PT: 9
  • MDB: 5
  • Republicanos: 5
  • PSD: 4
  • Novo: 4
  • Outros: 7
  • PL, União Brasil e PP somam 44 nomes, mais da metade do total.

Janela partidária pode mudar o jogo

As movimentações devem se intensificar com a janela partidária, prevista entre 6 de março e 5 de abril de 2026.

Nesse período, deputados podem trocar de legenda sem risco de perder o mandato por infidelidade partidária. Muitos usam a janela para buscar legenda mais competitiva no Estado, assumir o controle da máquina partidária e reconstruir alianças nos planos regional e nacional.

Diferentemente dos deputados, senadores podem mudar de partido a qualquer momento, mas precisam respeitar os prazos de filiação eleitoral.

Ministros também entram no tabuleiro

Entre os 78 nomes listados, estão cinco ministros do governo Lula que são parlamentares licenciados:

  • Marina Silva (Rede-SP) — Meio Ambiente
  • Renan Filho (MDB-AL) — Transportes
  • André Fufuca (PP-MA) — Esporte
  • Silvio Costa Filho (Republicanos-PB) — Portos e Aeroportos
  • Gleisi Hoffmann (PT-PR) — Casa Civil

Ministros que desejem disputar a eleição precisam deixar o cargo até o prazo de desincompatibilização, no início de abril. Marina Silva é cotada para o Senado por São Paulo e dialoga com PT e Psol. Renan Filho é apontado como possível candidato ao governo de Alagoas. Eventuais candidaturas devem provocar rearranjos no primeiro escalão. Aproximadamente 20 ministros de Lula devem entregar o cargo para poder disputar a eleição. A maioria deles tentará renovar o mandato na Câmara, do qual estão licenciados.

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