A Comissão Parlamentar de Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, que apura os descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas votou na manhã desta quinta-feira (26), de forma conjunta, 87 requerimentos, entre eles pedidos de quebra de sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido de convocação de Lulinha foi apresentado pelo relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). De acordo com o relator, mensagens interceptadas sugerem que, ao ser questionado sobre o destinatário de um pagamento de R$ 300 mil à empresa de Roberta Luchsinger, o homem conhecido como "Careca do INSS" teria respondido que se tratava de "o filho do rapaz".
No mesmo bloco, foi aprovado também o requerimento para a convocação de Augusto Ferreira Lima, ex-CEO e sócio do Banco Master e atual controlador do Banco Pleno, instituição que também foi liquidada pelo Banco Central.
Confusão generalizada
A aprovação da convocação do filho do presidente Lula foi marcada por confusão generalizada, após parlamentares governistas questionarem o resultado da votação, que considerou apenas os votos dos membros titulares da comissão. Deputados e senadores então tumultuaram a sessão, em meio a bate-bocas, empurrões e relatos de agressões, o que levou à interrupção temporária dos trabalhos.
Na retomada da sessão, o deputado Paulo Pimenta (PT-RS) pediu a suspensão da reunião e a realização de uma nova votação, com a inclusão dos votos dos suplentes. Ele alegou que o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), teria tentado fraudar o resultado e afirmou que levaria o caso ao Conselho de Ética.
Oitivas
À tarde, a CPMI deve ouvir nesta quinta-feira (26) Paulo Camisotti, o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (MA) e o advogado Cecílio Galvão.
Filho e sócio de Maurício Camisotti, preso sob acusação de envolvimento nas fraudes no INSS, Paulo Camisotti é investigado por possível participação em um esquema de descontos não autorizados. O deputado estadual Edson Cunha de Araújo aparece em apurações da Polícia Federal por supostamente ter movimentado e recebido recursos de uma entidade ligada a trabalhadores da pesca e da aquicultura no Maranhão, além de ser acusado de ameaçar o deputado Duarte Jr. (PSB-MA).
Enquanto o advogado Cecílio Galvão é apontado como destinatário de cerca de R$ 4 milhões provenientes de entidades investigadas por fraude.