O governo brasileiro condenou neste sábado (28) os ataques militares realizados pelos Estados Unidos e por Israel contra alvos no Irã e manifestou "grave preocupação" com a rápida escalada das tensões no Oriente Médio. Em nota oficial (veja a íntegra mais abaixo), o Ministério das Relações Exteriores afirmou que a ofensiva ocorreu em meio a negociações diplomáticas sobre o programa nuclear iraniano e reiterou que o diálogo é o único caminho viável para a paz.
A posição brasileira foi divulgada poucas horas após bombardeios atingirem Teerã e outras cidades iranianas. Em resposta, forças iranianas lançaram mísseis e drones contra Israel e bases militares americanas na região, ampliando o risco de um conflito regional de maiores proporções.
Segundo o Itamaraty, a ação militar representa um fator adicional de instabilidade em um momento em que havia tentativas de solução negociada para a disputa envolvendo o programa nuclear iraniano, tema que há décadas gera tensões entre o Irã e países ocidentais.
Escalada de hostilidades
"O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil", afirma a nota do governo.
A manifestação reforça uma diretriz histórica da política externa brasileira, baseada na defesa do multilateralismo, da solução pacífica de controvérsias e da não intervenção militar como forma de resolução de conflitos. Ao enfatizar que a negociação é "o único caminho viável para a paz", o Itamaraty sinalizou preocupação com o risco de ruptura das tratativas diplomáticas entre Washington e Teerã.
Os ataques ocorreram poucos dias após a retomada de negociações entre Estados Unidos e Irã sobre limites ao programa nuclear iraniano. Países ocidentais afirmam que o programa pode ter fins militares, enquanto Teerã sustenta que suas atividades nucleares têm objetivo exclusivamente pacífico.
Escalada militar
A ofensiva militar conjunta marcou uma das maiores ações diretas já realizadas pelos Estados Unidos e por Israel contra o território iraniano. Explosões foram registradas em Teerã e em outras cidades, incluindo áreas consideradas estratégicas.
Israel classificou a operação como um ataque preventivo para neutralizar ameaças consideradas iminentes, enquanto o governo americano afirmou que a ofensiva teve o objetivo de destruir capacidades militares iranianas e proteger interesses de segurança.
A retaliação iraniana ocorreu poucas horas depois, com o lançamento de mísseis e drones contra Israel. Sirenes de alerta aéreo foram acionadas em diversas cidades israelenses, enquanto bases militares americanas no Oriente Médio também foram colocadas em estado de alerta.
Analistas internacionais avaliam que a troca de ataques representa a transição de um conflito indireto, marcado por ações por meio de aliados regionais, para um confronto militar direto entre os países, elevando significativamente o risco de guerra regional.
Proteção de brasileiros
O Itamaraty informou que as representações diplomáticas brasileiras acompanham a situação e prestam assistência às comunidades brasileiras nos países afetados. O embaixador do Brasil em Teerã mantém contato direto com cidadãos brasileiros residentes no Irã para fornecer orientações de segurança.
O governo recomendou que brasileiros na região sigam as instruções das autoridades locais e evitem deslocamentos desnecessários.
Segundo o ministério, as embaixadas brasileiras no Oriente Médio monitoram os desdobramentos das operações militares "com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados".
Reações internacionais
A escalada militar provocou reações divergentes ao redor do mundo. Parte da comunidade internacional manifestou preocupação com o risco de ampliação do conflito e pediu contenção, enquanto outros governos demonstraram apoio às ações lideradas por Washington e Tel Aviv.
Autoridades europeias classificaram os acontecimentos como perigosos e defenderam a proteção de civis e o respeito ao direito internacional humanitário. Países asiáticos também alertaram para o risco de catástrofe regional caso as hostilidades continuem.
O posicionamento brasileiro se insere nesse grupo de países que pedem desescalada imediata, destacando o risco de que a continuidade das ações militares comprometa a estabilidade do Oriente Médio e produza impactos globais, especialmente na segurança energética e na economia internacional.
Veja a íntegra da nota do Itamaraty:
"Ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã
O Governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados hoje (28/2) por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região.
O Brasil apela a todas as partes que respeitem o Direito Internacional e exerçam máxima contenção, de maneira a evitar a escalada de hostilidades e a assegurar a proteção de civis e da infraestrutura civil.
As embaixadas do Brasil na região acompanham os desdobramentos das ações militares, com particular atenção às necessidades das comunidades brasileiras nos países afetados. Recomenda-se aos brasileiros que estejam atentos às orientações de segurança das autoridades locais nos países onde morem ou se encontrem.
O Embaixador do Brasil em Teerã está em contato direto com a comunidade brasileira, a fim de transmitir atualizações sobre a situação e orientações de segurança."