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Para ter livre acesso ao pai, Flávio vira advogado de Bolsonaro no STF

Como membro da defesa, conversas passam a ocorrer em sala reservada para garantir sigilo profissional.

3/3/2026
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Pré-candidato à presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) agora integra a equipe de defesa do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A inclusão permite ao parlamentar acesso diário ao 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha.

Como advogado, o senador passa a ter direito de visitar o cliente em qualquer dia da semana, sem necessidade de agendamento prévio, em sala reservada e com sigilo profissional garantido, como prevê a legislação para a atuação de defensores.

Até então, mesmo com autorização especial do ministro do STF Alexandre de Moraes na condição de filho, Flávio podia visitar o pai apenas em dias e horários determinados, às quartas-feiras e aos sábados.

No STF, o corpo jurídico de defesa do ex-presidente é formado por quase 30 advogados. Flávio Bolsonaro foi adicionado à extensa lista na segunda-feira (2).

Página de execução penal da pena de Jair Bolsonaro.Arte Congresso em Foco

A mudança ocorre em meio à preparação para a campanha eleitoral de 2026, momento em que decisões estratégicas são tomadas por Bolsonaro de dentro da unidade prisional.

Flávio Bolsonaro é formado em Direito e tem registro ativo na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) tanto no Rio de Janeiro quanto no Distrito Federal, o que o habilita a atuar formalmente nos autos em que o pai figura como réu ou condenado.

Prisão

Condenado a 27 anos e três meses por participação em trama golpista após as eleições de 2022, o ex-presidente cumpre pena em regime fechado. Bolsonaro está na Papudinha desde 15 de janeiro, quando Moraes determinou sua transferência da Superintendência da Polícia Federal em Brasília (DF).

Inicialmente, o ex-presidente sofreu medidas cautelares que resultaram em sua prisão domiciliar desde 4 de agosto de 2025 em processo de coação enquanto estava em julgamento.

Ao violar sua tornozeleira eletrônica, teve a prisão decretada em 22 de novembro do mesmo ano e foi levado à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília (DF), onde permaneceu até o último dia 15, quando foi tranferido.

Com o trânsito em julgado do processo pela trama que resultou nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, determinado em 25 de novembro, a prisão preventiva de Bolsonaro foi convertida em cumprimento de pena.

O ex-presidente, apesar de receber membros da família sem necessidade de autorização a cada encontro, seguia uma série de regras que vão desde horário marcado à ausência de sigilo nas conversas.

Movimento político

A decisão da família Bolsonaro de colocar um pré-candidato à presidência para atuar como advogado do líder preso repete uma tática utilizada pelo PT durante a prisão do hoje presidente Lula em 2018.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, à época pré-candidato, foi incluído na equipe de defesa, o que lhe deu livre acesso à cela da Polícia Federal em Curitiba (PR) e permitiu reuniões frequentes para discutir o programa de governo e os rumos da campanha.

Na época, o próprio Lula chegou a afirmar que precisava se encontrar mais com Haddad para definir detalhes da estratégia eleitoral, em meio à incerteza sobre o registro da candidatura.

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