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Projeto exige cartazes contra violência à mulher em locais públicos

Proposta do deputado Pinheirinho (PP-SP) prevê recados de "não fique em silêncio" e números oficiais de denúncia.

8/3/2026
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O deputado Pinheirinho (PP-SP) apresentou à Câmara um projeto que torna obrigatória a afixação de cartazes com números de denúncia em combate à violência contra mulheres em locais de grande circulação de pessoas (836/2026).

Conforme a proposta, a obrigatoriedade irá abranger bares e restaurantes; casas de espetáculos e clubes; parques, hotéis e estabelecimentos similares; festas e feiras; terminais rodoviários e aeroportos; locais destinados a cultos religiosos, exposições e eventos culturais e esportivos; e supermercados e cinemas.

De forma padronizada, o cartaz deve conter os números da Central da Mulher (180), da Polícia Militar (190) e dos Direitos Humanos (100). Além disso, o projeto de lei estabelece que mensagens de conscientização, como "não fique em silêncio", "você não está sozinha" e "denuncie e proteja sua vida" sejam vinculadas nos cartazes.

Caberá aos municípios, na regulamentação, detalhar aspectos como cores, contrastes mínimos, uso de símbolos e localização preferencial, desde que respeitado o conteúdo obrigatório. O texto deve ser impresso em cartazes de tamanho A3 ou maiores, com dimensão mínima de 42 cm.

Projeto prevê cartazes em lugares de grande circulação de pessoas.Arte Congresso em Foco

Além das áreas comuns, a afixação de cartazes também será obrigatória nos banheiros femininos desses espaços. A ideia é permitir que a mulher em situação de risco, constrangida ou acompanhada pelo agressor, tenha um momento de privacidade no banheiro para ler a mensagem com calma, decorar os números ou até acionar ajuda pelo celular sem ser observada.

Descumprimento

O projeto estabelece a aplicação de sanções para os estabelecimentos que ignorem a obrigação:

  • Advertência, em um primeiro momento;
  • Na primeira reincidência, aplicação de multa;
  • Na segunda reincidência, multa em dobro e suspensão do funcionamento até que o estabelecimento cumpra a lei;
  • Na terceira reincidência, cassação do alvará de funcionamento.

Como determina a proposta, municípios terão "poder de polícia administrativa" para fazer valer a lei e fiscalizar sua implementação. Caberá à administração pública regulamentar os detalhes, organizar a fiscalização e aplicar as sanções.

Números alarmantes

Na justificativa, Pinheirinho reiterou que a violência contra a mulher é "um sério problema social e de saúde pública no Brasil", que atinge mulheres de todas as classes sociais, raças, idades e religiões.

O autor citou informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública que demonstram recorde brasileiro em 2025 no número de feminicídios, com 1.470 casos entre janeiro e dezembro. É o equivalente a quatro mulheres assassinadas por dia, apenas em casos oficialmente registrados como feminicídio.

Na avaliação do deputado, embora o dado seja alarmante, ainda não representa a totalidade da violência de gênero. Muitas ocorrências, segundo Pinheirinho, permanecem ocultas, seja porque não chegam a ser registradas em boletim de ocorrência ou porque sequer são reconhecidos socialmente como violência.

"O projeto de lei que ora se apresenta busca ampliar os canais de informação sobre a violência contra mulheres e encorajá-las a denunciar, uma vez que as pesquisas revelam que apenas uma quantidade ínfima delas, quando vítimas de violência, efetiva registros em boletim de ocorrência pelas razões mais diversas, sobretudo medo, vergonha e falta de suporte."

Na Câmara, a proposta aguarda distribuição para análise nas comissões temáticas antes de ir a Plenário.

Leia a íntegra.

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