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"Sicário" ligado a Vorcaro entra em protocolo de morte cerebral

Preso pelo PF, Luiz Phillipi Mourão tentou tirar a própria vida sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais. Ele é considerado peça-chave no esquema investigado.

5/3/2026
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A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais informou na noite desta quarta-feira (4) que Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", segue internado no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, onde foi iniciado o protocolo para confirmação de morte cerebral. Mourão é apontado pela Polícia Federal como operador de confiança do banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo a PF, Mourão tentou tirar a própria vida enquanto estava sob custódia na Superintendência da PF em Minas Gerais. Ele foi encontrado desacordado na cela onde estava preso e recebeu os primeiros procedimentos de reanimação realizados por policiais que estavam no local. No fim da tarde, a Polícia Federal chegou a anunciar a morte dele, informação que foi contestada pela Secretaria de Saúde.

Mourão, o "Sicário", em foto feita logo após sua pisão.Reprodução/PF

A corporação informou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e encaminhou o investigado ao Hospital João XXIII. O caso levou a PF a abrir investigação interna para apurar as circunstâncias do ocorrido. Imagens das câmeras de segurança da superintendência serão enviadas ao gabinete do ministro André Mendonça, relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Mourão foi preso nessa terça-feira (4) na Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema bilionário de fraudes financeiras relacionado ao Banco Master. A mesma operação também levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, apontado pelos investigadores como chefe de uma organização criminosa estruturada em diferentes núcleos.

De acordo com a investigação, o chamado "Sicário" teria papel central no grupo, atuando no monitoramento de alvos, extração ilegal de dados em sistemas sigilosos e ações de intimidação física e moral. Relatório da Polícia Federal indica ainda indícios de que ele receberia cerca de R$ 1 milhão por mês para executar ordens atribuídas ao banqueiro.

Mensagens obtidas pelos investigadores mostram Mourão sendo acionado para levantar dados pessoais de pessoas ligadas a Vorcaro, intimidar funcionários e até planejar agressões contra o jornalista Lauro Jardim, colunista do jornal O Globo. Em uma das conversas citadas na investigação, o banqueiro teria manifestado a intenção de "mandar dar um pau" no jornalista e "quebrar todos os dentes".

Para a Polícia Federal, os diálogos indicam uma "dinâmica violenta" dentro da organização investigada e sugerem que Mourão atuava como "longa manus" — expressão jurídica usada para designar alguém que executa ordens em nome de outra pessoa.

A defesa de Mourão afirmou, em nota, que esteve com ele até por volta das 14h desta quarta-feira, quando ele se encontrava "em plena integridade física e mental". Os advogados disseram ter tomado conhecimento da tentativa de suicídio apenas após a comunicação oficial da Polícia Federal e informaram que acompanham o caso no hospital.

Já a defesa de Daniel Vorcaro nega as acusações e afirma que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades e que a investigação demonstrará a regularidade de sua conduta.

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