A Polícia Penal Federal concluiu nesta sexta-feira (6) a transferência de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, à Penitenciária Federal de Brasília. Ao longo dos primeiros 20 dias de custódia, o empresário permanecerá em uma cela de inclusão, utilizada para adaptação do preso à rotina na unidade de segurança máxima antes do envio à cela definitiva.
Vorcaro será submetido ao mesmo procedimento de todos os demais presos na unidade, devendo passar por uma bateria de exames médicos. Ao chegar na penitenciária, os presos tem direito a um kit de uniformes e itens de higiene pessoal, livros e um documento impresso listando seus direitos e deveres em custódia.
Confira as imagens da unidade:
Uma vez concluído o período de inclusão, Vorcaro será enviado a uma cela de 6 m equipada com cama, sanitário, pia, chuveiro, mesa, assento e roupa de cama. Nenhuma das celas possui tomadas, e o fornecimento de energia para o aquecimento de água e funcionamento das lâmpadas acontece em horários predefinidos.
Nas duas etapas, o banqueiro terá direito a duas horas de banho de sol e seis refeições ao dia. O contato dos advogados acontece em parlatório separado, mediante monitoramento.
Prisão de Vorcaro
Daniel Vorcaro foi preso na última quarta-feira (4) na nova etapa da Operação Compliance Zero. Também foram detidos o seu cunhado, Fabiano Zettel, e seu assistente, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como "Sicário", que tentou suicídio em seguida.
No primeiro momento após a prisão, Vorcaro e Zettel foram levados para a Superintendência da Polícia Federal (PF) em São Paulo, onde ficaram detidos até o início da tarde, quando foram transferidos ao presídio estadual. Nesta sexta, Daniel Vorcaro foi enviado à unidade de segurança máxima em Brasília.
A transferência à penitenciária federal veio por decisão do ministro André Mendonça, do STF, a pedido da Polícia Federal. Segundo a PF, Vorcaro possui capacidade de mobilizar redes de influência que poderiam interferir na apuração das suspeitas envolvendo o Banco Master.
Além do risco de interferência na investigação, os investigadores também apontaram que a transferência para o sistema penitenciário federal ajuda a garantir a integridade física do próprio preso.
Na decisão, o ministro determinou que a Polícia Federal adote imediatamente as providências necessárias para viabilizar a transferência e que as direções dos presídios envolvidos adotem todas as medidas de segurança durante o deslocamento.
Operação Compliance Zero
As prisões de Vorcaro e de Zettel foram cumpridas como parte da terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo a PF, a nova fase da operação apura a possível prática de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos no âmbito da organização criminosa.
De acordo com as investigações, as práticas ligadas ao Banco Master teriam provocado um déficit de até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC), responsável por ressarcir investidores e correntistas em casos de quebra de instituições financeiras.
Não é a primeira vez que o banqueiro é alvo da operação. Em novembro, Vorcaro chegou a ser preso pela PF, mas obteve o direito de responder em liberdade, mediante o uso de tornozeleira eletrônica e outras medidas cautelares.
A nova prisão foi fundamentada em elementos colhidos na própria investigação. Mensagens encontradas no celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero, teriam indicado que o empresário determinou a um interlocutor que prestava serviços ao banqueiro que agredisse o colunista Lauro Jardim e ameaçou "moer" uma empregada.
Já Zettel se entregou à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso. Ele teria atuado como operador financeiro do grupo liderado pelo cunhado.
Em nota à imprensa, a defesa de Vorcaro afirmou que o empresário "sempre esteve à disposição das autoridades" e que tem colaborado com as investigações da Operação Compliance Zero. O corpo jurídico negou as acusações de intimidação de jornalistas e outras pessoas, atribuídas pela PF ao banqueiro.