O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu nesta quarta-feira (18) estender por mais 60 dias o inquérito que apura um esquema de fraudes no Banco Master. A medida foi tomada após solicitação da Polícia Federal, que afirmou precisar de mais tempo para concluir diligências consideradas essenciais para o avanço das investigações.
A apuração tramita no Inquérito 5026 e está ligada à Operação Compliance Zero, que investiga a criação de créditos fictícios, o desvio de recursos e operações suspeitas envolvendo o Banco Master. Entre os fatos sob análise está também a tentativa de aquisição da instituição pelo Banco de Brasília, o BRB, banco público vinculado ao governo do Distrito Federal.
Ao autorizar a prorrogação, André Mendonça registrou que a PF apresentou justificativas para a continuidade das apurações. Segundo o ministro, a corporação apontou a necessidade de novas medidas investigativas para esclarecer os fatos.
Material sob análise
Os investigadores afirmam que ainda há um volume expressivo de material apreendido a ser examinado. Entre os itens recolhidos ao longo das três etapas da operação estão documentos, computadores e mais de cem celulares. Oito desses aparelhos, segundo a investigação, pertencem ao banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como figura central do caso.
As suspeitas envolvem a montagem de carteiras de crédito falsas e a transferência de recursos para o patrimônio pessoal dos investigados. As estimativas sobre os prejuízos provocados pelo esquema variam: as apurações preliminares apontam cifras entre R$ 12 bilhões e R$ 17 bilhões.
Compliance Zero
A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025. Na ocasião, a Justiça expediu mandados contra integrantes da cúpula do Banco Master, incluindo Daniel Vorcaro. Também foi determinado o afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob suspeita de participação em operações que teriam levado bilhões de reais ao Master de forma irregular.
Na segunda fase, realizada em janeiro de 2026, o foco da investigação passou a ser o rastreamento do dinheiro e a recuperação de ativos. Nessa etapa, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores, além do cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e familiares. Carros de luxo e dinheiro em espécie foram apreendidos.
Já em março deste ano, na fase mais recente da operação, a Polícia Federal disse ter identificado uma estrutura voltada à intimidação de adversários e ao monitoramento de pessoas que investigavam o banco. De acordo com a corporação, o grupo, chamado de "A Turma", funcionaria como uma espécie de milícia privada. Considerado operador para ações violentas de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de "Sicário", se matou enquanto estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte.
As apurações também atingiram servidores do Banco Central, suspeitos de agir em favor de Vorcaro, antecipando informações e facilitando trâmites regulatórios em troca de propina. Nessa etapa, o banqueiro voltou a ser preso, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.
Daniel Vorcaro está preso na Penitenciária Federal em Brasília. Os envolvidos no caso podem responder por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e obstrução de Justiça.