A deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL), da Assembleia Legislativa de São Paulo, pintou o rosto com maquiagem escura durante discurso em plenário nesta quarta-feira (18) em protesto à eleição da deputada Erika Hilton (Psol-SP) como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher na Câmara dos Deputados e como "mulher do ano" de 2025 pela revista Marie Claire.
Em seu pronunciamento, proferido enquanto se pintava, comparou a própria condição de pessoa branca se apresentando como negra à da deputada Erika Hilton enquanto mulher trans. "E agora? Eu virei negra? Eu senti o desprezo da sociedade por uma pessoa negra que jamais deveria existir? (...) Sinto na pele a dor que uma pessoa negra sentiu pelo racismo, por não conseguir um trabalho, um emprego?", questionou.
Confira seu pronunciamento:
Ao terminar de se pintar, a parlamentar estadual questionou por quê não estaria sendo reconhecida como pessoa negra para a ocupação de espaços políticos na Casa. "Agora eu não sou negra? Eu estou pintada de negra por fora, poxa. Eu me reconheço como negra, por que que eu não posso, então, presidir a comissão sobre racismo, antirracista?".
Em seguida, respondeu ao próprio questionamento: "eu não sei as dores da essência que essas pessoas tiveram, as lágrimas que caíram, eu não sei o que passaram. Eu imagino, eu imagino com muita raiva o que passaram, a dor que viveram, mas eu não sei o que passaram na minha essência, porque eu não sou negra".
Em outro momento, enquanto retirava a maquiagem, Fabiana Bolsonaro negou que sua fala tenha o objetivo de atacar pessoas transexuais. "Transexual tem que ser respeitado, sim, a gente tá vendo o maior aumento da história de assassinato de pessoas transexuais, que tem que ser respeitado", disse.
Por outro lado, considera ilegítima a coordenação da Comissão de Mulheres por uma pessoa trans: "como que a gente vai cuidar da endometriose, do parto, da amamentação, da menopausa, se a pessoa não tem lugar de fala?".
Confira:
Em resposta ao pronunciamento, a deputada estadual Ediane Maria (Psol) anunciou a abertura de uma denúncia contra Fabiana Bolsonaro junto ao Ministério Público. "O dia de hoje entra pra história da Alesp como um dia vergonhoso e profundamente triste. O plenário da ALESP foi palco de atos criminosos", publicou.
Disputa na comissão
No acordo de distribuição de presidência de comissões deste ano na Câmara dos Deputados, a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher ficou sob responsabilidade do Psol. O partido indicou para a condução do colegiado a deputada Erika Hilton, e nenhuma outra parlamentar de sua bancada apresentou candidatura avulsa.
A escolha pelo nome de Erika Hilton levantou protestos entre parlamentares da oposição, que não a reconhecem enquanto mulher. O repúdio se espalhou entre parlamentos municipais e estaduais com maioria conservadora.