Com o fim das atividades marcado para 28 de março, a CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (19) o convite do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e de seu antecessor, Roberto Campos Neto, a prestar esclarecimentos sobre possíveis irregularidades na concessão de crédito consignado a aposentados e pensionistas.
As oitivas, solicitadas pelo presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), buscam aprofundar a investigação sobre a atuação de instituições financeiras em operações que, segundo membros da comissão, incluem denúncias de empréstimos liberados em nome de crianças, pessoas mortas e beneficiários submetidos a juros abusivos.
Viana também pretende esclarecer, com o depoimento de Galípolo, o esquema de fraudes do Banco Master e sua atuação em empréstimos consignados. Segundo o senador, "a estimativa é de que mais de 250 (duzentos e cinquenta) mil contratos de crédito consignado apresentam indícios de irregularidade ou fraude, somando cerca de R$ 2 bilhões em crédito, com parcelas descontadas diretamente das aposentadorias e pensões".
No requerimento, o senador argumentou ainda que o representante do Banco Central pode contribuir com informações sobre o C6 Consignado. Nesta quinta-feira (19), a CPMI do INSS ouve o CEO da instituição financeira, Artur Ildefonso Brotto Azevedo, para prestar esclarecimentos sobre alegações de irregularidades na concessão de crédito a aposentados e pensionistas.
Como se tratam de convites, e não de convocações, nenhum dos dois é obrigado a comparecer.
Banco Master
Outro requerimento aprovado prevê o compartilhamento de informações em posse da CPI do Crime Organizado sobre a quebra de sigilo de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Serão compartilhados dados fiscais, bancários e conversas extraídas do celular de Zettel.
Segundo o colegiado, o material deve servir para ampliar a compreensão sobre fluxos de dinheiro, relações empresariais e eventuais conexões entre operações financeiras suspeitas e o esquema sob investigação na comissão.
Zettel se entregou à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo no último dia 4, onde cumpriu o mandado de prisão preventiva expedido pelo ministro do STF André Mendonça, relator do caso. Ele teria atuado como operador financeiro do grupo liderado pelo cunhado.