O presidente Lula confirmou nesta quinta-feira (19) a escolha por Dario Durigan como ministro interino da Fazenda diante da saída de Fernando Haddad, que entregará o cargo ao fim do dia para concorrer nas eleições. O anúncio foi feito na mesma cerimônia na qual o atual chefe da pasta confirmou a sua saída do governo.
Durante a leitura da nominata na cerimônia de inauguração da 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, Lula pediu a Durigan que se levantasse. "Ele será o substituto do Haddad no Ministério da Fazenda a partir do anúncio do Haddad. Olhem bem para a cara dele porque vocês vão cobrar muitas coisas", declarou.
Mestre em Direito pela UnB com reputação perfil técnico, Durigan é o atual secretário-executivo do Ministério da Fazenda, encarregado de auxiliar diretamente Fernando Haddad em todas as atividades internas na pasta. Na atual gestão, também esteve ao lado do ministro na articulação política, participando de reuniões com parlamentares para garantir a aprovação de projetos de lei voltados à agenda econômica.
Sua relação com Haddad é antiga, tendo integrado sua equipe na Prefeitura de São Paulo. Entre 2015 e 2016, foi assessor especial do então prefeito, período em que trabalhou com a articulação política junto à Câmara Legislativa municipal. Antes disso, já atuava em proximidade com o PT, participando na gestão da Advocacia-Geral da União em 2010 e 2011, no governo Dilma, e em seguida como consultor jurídico da Casa Civil entre 2011 e 2015.
Dario também foi advogado sênior na Consultoria Jurídica da União entre 2016 e 2020, e head de políticas públicas do Whatsapp entre 2020 e 2023, quando assumiu o cargo na pasta.
Tendência de continuidade
Como 'copiloto' de Haddad, Dario Durigan é conhecido por compartilhar seu pensamento econômico, voltado à defesa de reformas fiscais moderadas. Ele atuou diretamente na construção e na defesa das principais propostas apresentadas pela pasta desde 2023.
Durigan foi um dos principais articuladores da reforma tributária, de sua regulamentação e da reforma do Imposto de Renda. Também colaborou na elaboração dos projetos de ajuste fiscal de 2024 e 2025, e atuou internamente com a implementação do arcabouço fiscal. Haddad já o preparava anteriormente para quando viesse a assumir uma posição de protagonismo.
Saída de Haddad
Hoje é o último dia de Fernando Haddad na chefia do Ministério da Fazenda, sendo necessária sua saída para poder disputar nas eleições. Ele é o preferido do presidente Lula para concorrer ao governo de São Paulo, incluindo em sua chapa o vice-presidente Geraldo Alckmin e a ministra do Planejamento, Simone Tebet, como candidatos ao Senado por sua chapa.
Apesar de os três já terem confirmado a entrega de seus cargos para participar do pleito, apenas Simone Tebet confirmou expressamente a escolha pela disputa ao Senado.