A governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, repudiou nesta quarta-feira (25) a utilização de fotos das deputadas Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (Psol-SP) em um álbum de identificação de suspeitos por uma delegacia da Polícia Civil do Estado. O caso foi denunciado por Salabert depois que recebeu um ofício da Defensoria Pública de Pernambuco em alerta.
Na avaliação de Lyra, o ocorrido é "inadmissível" e será investigado. A governadora afirmou, em suas redes sociais, que determinou "rigorosa apuração" na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social.
"Inadmissível o uso da imagem das deputadas federais Duda Salabert e Erika Hilton pela Polícia Civil de PE. Preconceito e violência simbólica não são tolerados em PE."
O álbum de suspeitos foi utilizado na investigação de um roubo de celular ocorrido no Recife, no início de 2025. O material de reconhecimento foi elaborado em abril.
Denúncia
Também nas redes sociais, Duda Salabert afirmou que as fotos foram utilizadas por ela e Erika Hilton serem travestis e acusou a Polícia Civil de transfobia institucional e racismo.
"Colocaram minha foto e a da Erika Hilton lado a lado em um álbum de reconhecimento criminal. Não por semelhança com a suspeita, mas por sermos travestis. Isso não é investigação. É perfilamento, é racismo e transfobia institucional. É assim que o sistema erra. É assim que inocentes são colocadas como suspeitas. Já acionei a Justiça."
A parlamentar acionou a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco para pedir esclarecimentos e providências. No ofício, Duda Salabert argumentou que o episódio não pode ser visto como erro isolado ou mera falha procedimental.
A Defensoria Pública também se manifestou sobre o caso e avaliou que a única explicação possível para a presença das fotografias no procedimento seria o fato de ambas as parlamentares serem mulheres negras e trans. Segundo a instituição, essa circunstância compromete a validade dos atos probatórios, já que o reconhecimento fotográfico feito nessas condições apresenta fragilidade evidente e não poderia, por si só, sustentar eventual condenação.
Em nota, a assessoria da deputada informou que o mandato já adota as medidas necessárias para que o caso seja apurado e afirmou que cobrará explicações das autoridades competentes. O gabinete também declarou ser inadmissível que um episódio dessa natureza ocorra de forma institucional e atinja parlamentares que, segundo a nota, historicamente já são alvo de discursos de ódio.