Durante pronunciamento à tribuna da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (25), o deputado Otoni de Paula (MDB-RJ) comentou a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a inelegibilidade do ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Segundo o congressista, o episódio deveria levantar a autocrítica do campo conservador, e Jair Bolsonaro possui "dedo podre" na escolha de candidatos ao governo do Estado.
"Eu vou dizer uma coisa, nobres deputados: o povo do Rio de Janeiro só vai votar em outro indicado pelo presidente Bolsonaro se tiver perdido a memória. Nada contra o presidente Bolsonaro, mas vá ser dedo podre para indicar governador igual ao Bolsonaro", declarou.
Confira sua fala:
Otoni de Paula relembrou em seu discurso o histórico tanto de Cláudio Castro, apoiado por Bolsonaro em 2022 e agora foi declarado inelegível por participação em esquema de contratação irregular de cabos eleitorais, quanto do Wilson Witzel, ex-governador coligado ao ex-presidente em 2018, alvo de impeachment em 2020 após suspeitas de envolvimento no desvio de recursos para a contratação de hospitais de campanha.
Segundo o deputado, por consequência dos dois mandatos, "uma verdadeira quadrilha se montou no Estado do Rio de Janeiro, uma quadrilha que não apenas dilapidou as finanças do Estado, mas também corroeu a segurança pública do Estado".
O congressista, que se define como conservador de direita, cobrou autocrítica de seu próprio campo sobre a situação de seu Estado. "É fácil falar que a esquerda rouba, que tem bandido na esquerda. Beleza! Agora, que tal tocar na ferida da direita bolsonarista? (...) Quem quebrou o Rio de Janeiro não foram os políticos de esquerda, porque eles não governam o Rio. Quem quebrou foi quem? Foi o lado de cá, do qual eu pertenço", afirmou.
Inelegibilidade
Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio de Janeiro na segunda-feira (23) para viabilizar sua pré-campanha ao Senado. Na noite de terça (24), foi retomado seu julgamento no TSE, diante de acusações de envolvimento na contratação irregular de funcionários na Fundação Ceperj e na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UERJ) para que servissem como cabos eleitorais nas eleições de 2022.
O tribunal decidiu a favor da sua inelegibilidade até o ano de 2030. Também ficaram inelegíveis o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar e o ex-presidente da Funcação Ceperj, Gabriel Rodrigues Lopes.