Durante a reunião de leitura do relatório da CPMI do INSS, o vice-líder do governo na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), trocou ofensas com o relator, Alfredo Gaspar (PL-AL), interrompendo os debates em meio ao tumulto. Na briga, os dois chegaram a imputar crimes um ao outro, levando o presidente Carlos Viana (Podemos-MG) a intervir, ameaçando representar contra o petista no Conselho de Ética.
A primeira provocação partiu de Lindbergh, que interrompeu a leitura para se pronunciar. "Presidente, isso é um relatório ou é um circo? Isso é um circo ou é um relatório", questionou. Gaspar o respondeu em seguida, chamando-o pelo nome citado na antiga lista de codinomes citada na Operação Lava-Jato: "Deputado Lindinho, não estamos falando de Odebrecht".
Veja o momento:
Instantes após a fala do relator, Lindbergh tornou a provocar, chamando-o fora do microfone de "estuprador". Gaspar também respondeu com acusações: "Eu estuprei corruptos como vossa excelência, que roubam o Brasil. Ladrão! Corrupto", exclamou. A briga se generalizou logo em seguida, com apelos do presidente para que os parlamentares permitissem a retomada da leitura.
Em meio ao tumulto, Viana interviu em favor do relator: "Ele não pode ofender as pessoas da forma que ofendeu. Ele chamou o relator de estuprador, isso é muito grave. Vou dizer mais uma coisa. Ao chamar essa comissão de circo, vossa excelência está chamando de palhaço todos os aposentados brasileiros que confiaram no nosso trabalho", disse.
A briga continuou, até Gaspar fazer mea culpa. "Até o presente momento eu tinha uma relação pacífica com o deputado Lindberg. Eu quero continuar cumprindo a minha missão. Reconheço o calor do momento, tenho humildade, e espero o mesmo de vossa excelência".
Leitura de relatório
A leitura do relatório final acontece neste momento, com possibilidade de votação ainda no mesmo dia. Caso haja pedido de vista, mecanismo que permite mais tempo para análise, a deliberação poderá ser adiada para sábado (28), prazo limite de funcionamento da comissão.
O presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG) manifestou expectativa de concluir a tramitação ainda nesta sexta.
O documento elaborado por Gaspar tem cerca de 4,4 mil páginas e propõe o indiciamento de 218 pessoas. Paralelamente, parlamentares da base governista articulam a apresentação de um relatório alternativo, com recomendações próprias sobre o caso.