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Na CPAC, Flávio pede pressão dos EUA sobre eleições no Brasil

No principal fórum da direita trumpista nos EUA, Flávio atacou Lula, se vendeu como "Bolsonaro 2.0" e prometeu aos americanos uma aliança estratégica ancorada em minerais críticos.

29/3/2026
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Em discurso neste sábado (28), durante a edição anual da Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu que os Estados Unidos e o "mundo livre" exerçam "pressão diplomática" sobre o Brasil para que as eleições de 2026 sejam, segundo ele, "livres e justas", com base em "valores de origem americana".

Pré-candidato à Presidência da República, Flávio afirmou que não deseja "interferência" estrangeira no pleito brasileiro, mas defendeu que atores internacionais acompanhem de perto o processo eleitoral, observem a liberdade de expressão nas redes sociais e pressionem as instituições brasileiras. A fala foi feita diante de uma plateia conservadora nos Estados Unidos, em um dos principais fóruns da direita americana.

No maior evento da direita trumpista, Flávio se apresentou como candidato fundamental para a consolidação de uma amplia aliança na América Latina.Reprodução/Youtube

Flávio foi chamado ao palco pelo irmão Eduardo, que mora há mais de um ano nos Estados Unidos e teve o mandato de deputado federal cassado por excesso de faltas em dezembro.

Apelo aos americanos

Ao se dirigir diretamente ao público do evento, o senador pediu atenção internacional ao cenário político brasileiro. Segundo ele, "se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente", seu grupo político vencerá a disputa presidencial do próximo ano.

No trecho mais sensível do discurso, Flávio defendeu que Washington adote uma nova postura em relação ao Brasil. Ele criticou o governo do ex-presidente Joe Biden, a quem atribuiu, sem apresentar provas, interferência nas eleições de 2022 para favorecer a volta do presidente Lula ao poder. Em seguida, sugeriu uma "mudança" na política externa americana para a região, com pressão diplomática sobre as instituições brasileiras.

Paralelo entre Bolsonaro e Trump

Flávio também traçou paralelos entre o ex-presidente Jair Bolsonaro e o presidente americano Donald Trump. Disse que seu pai seria vítima de "lawfare" e comparou a situação jurídica do ex-mandatário brasileiro à do líder republicano nos Estados Unidos. Na fala, afirmou ainda que Jair Bolsonaro foi condenado por motivação política e o apresentou como perseguido por defender valores conservadores.

O senador repetiu ainda bandeiras frequentes do bolsonarismo, ao dizer que o ex-presidente combateu a "tirania da Covid", os cartéis de drogas, a "agenda ambiental radical" e a chamada "agenda woke". Também afirmou que Bolsonaro foi o aliado internacional mais fiel de Trump.

Ataques a Lula e à política externa

Durante a exposição, Flávio fez uma série de críticas ao governo Lula. Disse que o presidente e o PT são "abertamente antiamericanos", acusou o petista de atuar contra interesses dos Estados Unidos em temas de política externa e afirmou que o Brasil, sob Lula, aproximou-se da China em escala massiva.

Ele também declarou que Lula teria feito lobby para evitar que facções criminosas brasileiras fossem classificadas como organizações terroristas nos Estados Unidos. No mesmo discurso, criticou a revogação do visto de Darren Beattie, assessor de Trump para temas ligados ao Brasil, e classificou o episódio como algo "sem precedentes" na relação entre os dois países.

Minerais críticos no centro da aproximação

Ao tentar apresentar o Brasil como parceiro preferencial dos Estados Unidos, Flávio destacou o peso territorial, populacional e econômico do país e deu ênfase às reservas de minerais críticos, especialmente terras raras. Segundo ele, o Brasil poderia ajudar os americanos a reduzir a dependência da China no fornecimento de insumos estratégicos para a indústria tecnológica, a inteligência artificial e o setor de defesa.

Nesse ponto, o senador procurou associar sua eventual candidatura a um projeto de alinhamento geopolítico com Washington. Disse que os Estados Unidos precisam de cadeias de suprimento seguras, de um parceiro confiável no hemisfério e de um grande mercado consumidor, enquanto o Brasil precisaria de investimentos, tecnologia e cooperação no combate ao crime transnacional.

Candidatura e promessa de "Bolsonaro 2.0"

Flávio afirmou ainda que recebeu de Jair Bolsonaro a missão de disputar a Presidência em 2026 em seu lugar. Ao defender sua pré-candidatura, declarou que um eventual governo seu seria um "Bolsonaro 2.0", "muito melhor" que o primeiro, por causa da experiência acumulada durante a gestão do pai.

Ao encerrar a fala, o senador disse esperar voltar ao encontro conservador, no ano que vem, já como presidente do Brasil. Também afirmou que uma vitória eleitoral representaria, em suas palavras, o nascimento da mais forte aliança conservadora da história do Hemisfério Ocidental.

Leia a íntegra do discurso de Flávio, traduzido para o português:

"Olá a todos, é ótimo estar aqui. Senhoras e senhores, eu sei que muitos de vocês estão olhando para mim agora e pensando que me reconhecem de algum lugar. Vocês provavelmente estão pensando no meu pai, o ex-presidente do Brasil, Jair Bolsonaro.

Aqui está ele com Donald Trump na Casa Branca em 2019. Eles o chamavam de o Trump dos trópicos porque ele era amado pelo povo e defendia seus valores sem medir palavras. Aqui está ele falando deste mesmo palco na CPAC 2023, quando muitos de vocês lhe deram uma ovação extraordinária.

E aqui está ele na última semana no hospital, onde passou seu 71º aniversário sob prisão, condenado a 27 anos de prisão. Preso por corrupção, como todos os líderes latino-americanos? Não. Preso e condenado por 27 anos, o resto de sua vida, por lawfare, quase idêntico ao que Donald Trump sofreu aqui na América.

A acusação formal é semelhante à que o presidente Donald Trump enfrentou: insurreição. Soa familiar? Mas a razão real é a mesma. O maior líder político do meu país está na prisão por defender nossos valores conservadores sem medo e por se opor ao sistema com tudo o que tinha.

Meu pai lutou contra a tirania da covid. Ele lutou contra os cartéis de drogas. Ele lutou contra os interesses da elite global, contra a agenda ambiental radical, contra a agenda woke que destruiu famílias. Acima de tudo, ele lutou pela liberdade. Meu pai também foi aliado de Donald Trump e o último líder mundial a reconhecer Joe Biden como presidente. Eles tentaram assassiná-lo, assim como tentaram fazer com Donald Trump. Eles não conseguiram. E agora ele está na prisão, assim como Donald Trump estaria se vocês não tivessem lutado com sucesso para salvá-lo.

Nós, brasileiros, ainda estamos lutando porque, quando prenderam meu pai, trouxeram este homem de volta ao poder. As mesmas pessoas que prenderam meu pai tiraram este homem, o ex-presidente socialista Lula da Silva, condenado várias vezes por corrupção, da prisão e o colocaram de volta na presidência. Tudo isso sob uma enxurrada de dinheiro da Usaid e interferência massiva do governo Biden. O resultado: o Brasil está vivendo outra crise econômica devastadora, uma crise de segurança pública com enorme expansão de cartéis narcoterroristas e múltiplos escândalos de corrupção envolvendo até membros da própria família de Lula.

Mas talvez você esteja pensando: por que deveríamos nos importar? Isso é um problema do Brasil. Deixe-me explicar exatamente por que isso importa para a América e para o mundo. Primeiro, não achamos que vocês entendam totalmente a escala do que estamos falando. O Brasil é maior em território do que os Estados Unidos continentais. Temos 220 milhões de pessoas em uma nação que é 90% cristã. Representamos mais da metade de toda a América do Sul em território, população e PIB.

Com todo o respeito aos nossos vizinhos, apenas um estado brasileiro tem uma economia maior do que a 2ª maior economia da região. Controlamos as maiores reservas de água doce do mundo, vastas terras agrícolas que alimentam o mundo e recursos energéticos que poderiam abastecer continentes. Até nossos vizinhos sabem que nossa região não pode prosperar se o Brasil falhar. Qualquer política para a América Latina que não leve o Brasil em conta está condenada ao fracasso.

Mas aqui está o que realmente deve chamar sua atenção. O Brasil será o campo de batalha onde o futuro do hemisfério será disputado. Porque o Brasil é a solução da América para quebrar a dependência da China em minerais críticos, especialmente elementos de terras raras. Agora, a América ainda depende da China para cerca de 70% das importações de terras raras. E a China controla 70% da mineração global e mais de 90% do refino e processamento.

Por que isso importa? Essas terras raras são essenciais para processadores de computador e para a revolução da IA que está transformando nosso mundo e o equipamento de defesa norte-americano. Sem esses componentes, a inovação tecnológica americana torna-se impossível. E a produção do sistema militar avançado que mantém a superioridade americana cai nas mãos de adversários. Sem eles, a revolução tecnológica da América estagna e a segurança nacional torna-se vulnerável. E quando a América se torna vulnerável, todo o mundo livre se torna vulnerável.

Então, como tem sido a relação do Brasil com os Estados Unidos desde que o homem que Joe Biden e o deep state norte-americano trabalharam tanto para trazer ao poder assumiu o controle? Lula e seu partido são abertamente anti-norte-americanos. Ele fala publicamente sobre minar o dólar como moeda global. Ele alinhou o Brasil com a China em escala massiva. Ele se opôs aos interesses norte-americanos em cada item da política externa, criticando publicamente as ações do presidente Trump na Venezuela, Irã, Cuba e na luta contra o tráfico de drogas.

O mais chocante de tudo. Ele usou forte lobby com assessores dos EUA para evitar que os 2 maiores cartéis de drogas do Brasil fossem classificados como organizações terroristas. Sim, de acordo com um artigo do New York Times publicado ontem, o presidente do meu país faz lobby na América para proteger organizações terroristas que oprimem meu povo, lavam dinheiro e exportam drogas e armas para os Estados Unidos e para o mundo. E há apenas duas semanas, como prova de quão ruins as coisas ficaram, o Brasil sob Lula cancelou o visto do Dr. Darren Beatty, conselheiro sênior para a política do Brasil no Departamento de Estado dos EUA, a posição diplomática americana mais alta para lidar com o Brasil. Algo sem precedentes em nossa história. Tudo porque o Dr. Beatty pediu para visitar meu pai na prisão e avaliar suas condições. Sim, o Brasil agora está expulsando diplomatas norte-americanos.

Agora, eu entendo que o presidente Trump está muito ocupado tornando a América grande novamente e deve manter relacionamentos institucionais com líderes de todos os países, independentemente de suas preferências pessoais. E eu sei que às vezes, cercado por assessores com seus próprios interesses, a imagem fica borrada. Mas estou confiante de que o maior negociador da história pode facilmente ver quem são os verdadeiros aliados do Brasil.

Mas deixe-me compartilhar as boas notícias. Eu disse a vocês, nós ainda estamos lutando. E no final deste último ano, meu pai me deu a maior missão da minha vida: concorrer à Presidência no lugar dele nas eleições de outubro de 2026. E deixe-me olhar nos seus olhos e dizer: nós vamos vencer. E quando eu vencer, o povo brasileiro terá mais uma vez um presidente que luta contra os interesses da elite global, contra a agenda ambiental radical, contra a agenda woke que destrói as famílias, contra os cartéis de drogas e, acima de tudo, luta pela liberdade e pelos valores tradicionais. Um presidente que proclama sem medo que Jesus Cristo é o nosso Senhor.

O Trump 2.0 está sendo muito melhor do que o Trump 1.0, certo? Bem, o Bolsonaro 2.0 também será muito melhor, graças à experiência adquirida durante a presidência do meu pai. Mas a América também terá seu aliado de volta. Brasil e América foram feitos um para o outro. Compartilhamos os mesmos valores judaico-cristãos e temos o que o mundo precisa. A América precisa de cadeias de suprimentos seguras para materiais críticos, um parceiro confiável no hemisfério e um mercado massivo para bens e serviços norte-americanos. E o Brasil precisa de 3 coisas: ajuda no combate aos cartéis de drogas transnacionais, investimentos e tecnologia. Não há nação no mundo que possa nos ajudar com isso melhor do que os Estados Unidos. E estamos alinhados. Ninguém pode nos parar.

Esta é a bifurcação na estrada que a América enfrenta. Ou você tem o aliado mais poderoso do hemisfério, ou um antagonista que se alinha aos adversários da América e torna impossível qualquer política americana para a região.

Então, alguns de vocês estão perguntando como podem ajudar. Eu vou lhes perguntar diretamente. Nós não queremos interferência nas eleições brasileiras, como o governo Biden fez para trazer Lula ao poder. Como eu disse, eu vou vencer porque é a vontade do meu povo. Mas para que essa vontade seja preservada, precisamos de eleições livres e justas. E este é um grande desafio. Se o nosso povo puder se expressar livremente nas redes sociais e se os votos forem contados corretamente, nós venceremos.

Meu apelo aqui, não apenas para os Estados Unidos, mas para todo o mundo livre é este: observem as eleições do Brasil com enorme atenção. Aprendam e entendam nosso processo. Monitorem a liberdade de expressão do nosso povo. E apliquem pressão diplomática para que nossas instituições funcionem corretamente. Em vez de o governo Biden interferir em nossas eleições para insultar um socialista que odeia a América, aplicar pressão diplomática para eleições livres e justas baseadas em valores de origem americana. Essa é uma boa chance de política externa para a região, certo?

Meu pai está na prisão esta noite pelas mesmas crenças que vocês possuem. Mas seu sacrifício não será em vão. No próximo ano, quando eu retornar a este palco como presidente do Brasil, não estaremos apenas celebrando mais uma vitória eleitoral. Estaremos celebrando o nascimento da aliança conservadora mais forte da história do Hemisfério Ocidental. O início de uma nova era onde a liberdade vence. Onde nossos filhos encontrarão um hemisfério que vale a pena defender. Deus abençoe a América. Deus abençoe o Brasil. Muito obrigado."

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