A deputada Soraya Santos (PL-RJ) compartilhou nas redes sociais uma reflexão sobre a magistratura. Advogada de formação, a parlamentar foi motivada por sua leitura mais recente, a segunda edição do livro Cartas a um jovem juiz: cada processo hospeda uma vida, do ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Cesar Asfor Rocha.
Soraya associou sua experiência como advogada e deputada à reflexão proposta pelo livro. A deputada afirmou que passou a compreender melhor as leis a partir da atuação parlamentar porque, na sua avaliação, a experiência também a transformará em uma profissional mais preparada na área do Direito.
"Quando eu vi o livro do César, tive uma conexão que mexeu comigo, porque eu sou advogada. Por crítica das leis, na elaboração de leis, e sou a melhor deputada que fui advogada. Hoje eu compreendo muito mais as leis e serei muito melhor advogada o dia que eu cheguei para ser deputada."
Ao elogiar a obra, a parlamentar destacou que concorda com o posicionamento de Cesar Asfor Rocha de olhar para o ordenamento jurídico sob uma perspectiva humanizada. "A vida tem que ser olhada com a essência. Um olhar e percepção que vão além da nossa função atrás da mesa", reiterou.
Para a deputada, a leitura da obra reforça a convicção de que a norma jurídica, embora seja a mesma para todos, não pode ser aplicada sem considerar contextos sociais, territoriais e humanos distintos. Soraya avalia que cabe a quem interpreta a lei e executa políticas públicas desenvolver esse olhar mais amplo sobre o outro.
"Embora a lei seja igual, compete àquele que aplica a lei, aquele que executa as políticas públicas, esse olhar do outro, do ser humano. A vida tem que mostrar que a lei não é para fazer Justiça, mas corrigir as injustiças."
Cada processo carrega uma vida
A proposta central do livro, lançado com apoio da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e realização dos portais Migalhas e Congresso em Foco, é defender que a atuação no sistema de Justiça não pode ser reduzida à aplicação mecânica da lei. Cesar Asfor Rocha propõe uma reflexão voltada principalmente a jovens magistrados, mas que também alcança advogados, membros do Ministério Público e estudantes de Direito.
A obra parte da ideia de que, por trás de cada processo, existe uma pessoa concreta, com história, expectativas, sofrimento, projetos e esperança. O autor sustenta uma visão mais humanista da atividade jurisdicional, em que ética, responsabilidade institucional e sensibilidade social devem caminhar juntos com o conhecimento técnico.
Escrito em forma de cartas, o livro se afasta do modelo tradicional dos manuais jurídicos e aposta em um diálogo mais direto e reflexivo. A mensagem principal é que decidir não é apenas interpretar normas, mas compreender que toda decisão judicial produz impacto real na vida de alguém.