O senador Carlos Viana (Podemos-MG) afirmou nesta terça-feira (31) que solicitará uma audiência com o ministro do STF André Mendonça para entregar "em mãos" uma cópia do relatório da CPMI do INSS, documento que, segundo o parlamentar, foi barrado pela base do governo no Congresso.
Em um balanço sobre a CPMI, da qual foi presidente, o parlamentar defendeu que o colegiado conduziu uma apuração isenta de viés político e encontrou resistência, como sugeriu acontecer com quem se "insurge contra o PT".
O senador afirmou que essa "perseguição" é histórica, mas não voltará a se repetir, porque, segundo o senador, a população saberá escolher um presidente de oposição nas próximas eleições.
"Toda pessoa, todo parlamentar que se insurge contra um governo do PT é atacado, não só politicamente, mas também pessoalmente. Isso foi no passado, está sendo agora comigo, com o relator e não será no futuro, porque a população brasileira saberá muito bem escolher e dizer quem blindou os ladrões dos aposentados em nosso país."
Viana também afirmou que a CPMI enfrentou obstáculos ao longo de toda a sua atuação. De acordo com o parlamentar, houve resistência à votação de requerimentos, tentativas de impedir quebras de sigilo e pressões para retirar nomes do relatório.
"A todo momento, nós enfrentamos muitas dificuldades. Blindagem com relação aos requerimentos, quebras de sigilo de pessoas importantes. Eu recebia constantemente pedidos de que os requerimentos não fossem colocados. Não concordei", relatou.
O senador argumentou que permitiu ao relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), ter liberdade para trabalhar com autonomia e incluir no parecer o que considerasse certo. "Ele teve toda a liberdade de fazer o trabalho que quisesse e fez o trabalho com independência e, principalmente, com responsabilidade", disse.
Na avaliação do senador, a comissão deu ao país uma "resposta efetiva" sobre o esquema de descontos indevidos em benefícios de aposentados e pensionistas.
Viana reiterou que a investigação parlamentar terminou sem a aprovação formal do parecer, mas sustentou que o trabalho produzido ao longo de seis meses servirá de base para a atuação da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça.
"A decisão de entregar uma cópia ao ministro é a sequência do nosso trabalho. As pessoas que estão no relatório não podem pensar que vão ficar impunes, porque a Justiça vai ser feita em nome dos aposentados do Brasil. Agora, com a CPMI findada, não há muito o que se fazer. É uma questão do Senado, da presidência dessa Casa, retomar as prerrogativas do Parlamento e das comissões."