O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou neste domingo (12) os ataques ao papa Leão XIV ao afirmar, em publicação na rede Truth Social, que o pontífice é "fraco no combate ao crime" e "péssimo em política externa". Na mensagem, o republicano também disse que o líder da Igreja Católica "só foi colocado lá" por ser norte-americano e por, segundo ele, representar uma forma de o Vaticano lidar com sua presença na Casa Branca.
Trump afirmou ainda que prefere o irmão do papa, Louis Prevost, por ser seu apoiador, e criticou posições que atribui a Leão XIV sobre temas internacionais. Entre as declarações, disse não querer "um papa que ache normal o Irã ter armas nucleares" nem um pontífice que critique o presidente dos Estados Unidos. Não há indicação pública, porém, de que Leão XIV tenha defendido que o Irã tenha armamento nuclear.
No trecho mais agressivo da publicação, Trump sustentou que o papa deveria ser "grato" a ele. "Se eu não estivesse na Casa Branca, Leão não estaria no Vaticano", escreveu. O presidente também atacou reuniões do pontífice com nomes ligados ao campo democrata, como o estrategista David Axelrod, e disse que o comportamento de Leão XIV "está prejudicando a Igreja Católica".
Pouco depois, Trump publicou uma imagem gerada por inteligência artificial em que aparece com túnica branca e manto vermelho, abençoando um homem doente, cercado por símbolos dos Estados Unidos, como a bandeira, a Estátua da Liberdade e aeronaves militares.
Vaticano reage
A resposta mais dura do Vaticano veio nesta segunda-feira (13). O padre Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e a Educação, afirmou que Trump ataca "uma voz moral" porque "não consegue contê-la". Em publicação no X, o religioso disse que o presidente norte-americano tenta enquadrar o papa numa lógica de força, segurança e interesse nacional, mas que Leão XIV "fala outra língua".
Também nesta segunda, o próprio papa evitou prolongar a escalada verbal. Questionado por jornalistas durante voo para a África, Leão XIV afirmou que não pretende entrar em debate com Trump. "Não sou um político, não tenho a intenção de entrar em um debate com ele, a mensagem continua sendo a mesma: promover a paz", declarou. O pontífice tem se manifestado de forma mais frequente sobre conflitos internacionais e, nos últimos dias, pediu cessar-fogo no Líbano, defendeu a proteção da população civil e voltou a cobrar diálogo em meio às guerras no Oriente Médio, na Ucrânia e no Sudão.
A ofensiva de Trump contra Leão XIV ocorre num momento em que o papa se consolida como voz de contraponto moral e diplomático ao governo norte-americano.