A morte de Valmir Rodrigues Chaves, conhecido como Bill, provocou nesta terça-feira (21) uma série de manifestações de pesar de lideranças políticas e partidárias ligadas à esquerda e aos movimentos sociais. Um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), ele morreu na noite de segunda-feira (20), aos 69 anos, depois de passar cerca de 60 dias internado em uma UTI em São Paulo. A causa da morte não foi divulgada.
Em Lisboa, onde cumpre compromissos oficiais, o presidente Lula afirmou ter recebido "com muita tristeza" a notícia da morte de Bill. Na mensagem, Lula destacou que o militante dedicou mais de quatro décadas de sua vida "à luta pelo direito à terra, a uma vida melhor para os pequenos agricultores e à soberania alimentar para todos", além de enviar um abraço à família, ao filho João Paulo Rodrigues, uma das principais lideranças do movimento, e aos integrantes do MST.
Guilherme Boulos também lamentou a morte de Bill. Em manifestação pública, afirmou ter recebido "com tristeza" a notícia do falecimento e disse que seu legado seguirá vivo. Boulos também prestou solidariedade à família e aos companheiros do movimento.
O PT divulgou nota de pesar em que classificou Bill como "militante histórico" da luta pelo direito à terra. O partido ressaltou sua dedicação de mais de 40 anos à reforma agrária e à justiça social e afirmou que ele deixa uma trajetória de transformação social no Pontal do Paranapanema, no oeste paulista.
Quem foi Bill
Bill era um dos nomes históricos da luta pela terra em São Paulo. Nascido em Minas Gerais, mudou-se ainda criança com a família para o Paraná, onde trabalhou nas lavouras de café. Em 1983, ao lado da companheira, Dona Cida, seguiu para o Pontal do Paranapanema, região marcada por conflitos fundiários, e nos anos seguintes passou a integrar a base do MST.
Sua trajetória se confunde com a consolidação do movimento no Estado. Segundo o MST e o PT, Bill foi um dos pioneiros da organização no Pontal, integrou a primeira Comissão dos Assentados de São Paulo e participou da luta que resultou na Gleba XV de Novembro, um dos primeiros e mais simbólicos assentamentos de reforma agrária do Estado.
O partido também lembra que a Gleba XV de Novembro se consolidou como uma das experiências mais importantes da reforma agrária paulista. De acordo com a nota petista, o assentamento reúne hoje 2.159 moradores, distribuídos em 569 famílias, e se tornou referência de transformação social a partir da organização coletiva no campo.
Referência no Pontal e no cooperativismo
Além da atuação nas ocupações e na organização de base, Bill também teve papel relevante na estrutura produtiva do movimento. O MST afirma que ele foi fundamental na construção do setor de produção da organização em São Paulo, ajudando a fortalecer associações e cooperativas rurais. Mais recentemente, estava à frente da Coopercampo, cooperativa voltada à produção leiteira, agrícola e à assistência técnica para mais de 300 famílias assentadas na região.
A nota do MST também aponta que Bill participou, em 1990, da ocupação da fazenda Nova Pontal, em Rosana, considerada um marco do avanço das lutas no Pontal do Paranapanema. Para o movimento, ele se tornou uma "referência histórica" por unir firmeza política, trabalho de organização e presença constante nas mobilizações pela reforma agrária.