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Câmara de São Roque cria CPI para investigar fraudes do Banco Master

Comissão apura gestão do São Roque Prev, que comprou mais de R$ 93 milhões em letras financeiras do banco.

29/4/2026
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A Câmara Municipal da Estância Turística de São Roque, no Estado de São Paulo, aprovou na terça-feira (28) a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as fraudes do Banco Master. O colegiado investigará irregularidades na gestão financeira e administrativa do Instituto de Previdência Social dos Servidores Municipais (São Roque Prev), que comprou mais de R$ 93 milhões em letras financeiras do banco.

Com prazo de funcionamento de 90 dias, a CPI será instalada após a assinatura de um terço dos membros da Casa: os vereadores Danieli Castro, Paulo Rogério Noggerini Júnior, Rafael Tanzi de Araújo, Diego Gouveia da Costa e Marcos Roberto Martins Arruda.

Criação da CPI foi aprovada na terça-feira (28).Divulgação

O colegiado será formado por três parlamentares:

  • Guilherme Araújo Nunes (PSD);
  • Wanderlei Divino Antunes (Republicanos); e
  • Mateus Taraborelli Foina (PSB).

A votação teve início a partir de requerimento no último dia 10, com objetivo de apurar o investimento de recursos previdenciários em ativos vinculados ao Banco Master e no Fundo de Investimento Imobiliário Nest Eagle (EAGL11), ambos ocorridos entre 2024 e 2026.

Além do Master, a CPI pretende investigar a atuação da empresa Crédito & Mercado Gestão de Valores Mobiliários Ltda. O colegiado aponta, no requerimento, que a instituição foi contratada inicialmente para coordenar investimentos do São Roque Prev e, na sequência, passou a cuidar do programa de certificação institucional do Ministério da Previdência Social, o Pró-Gestão RPPS.

Segundo a solicitação, foi identificada uma alteração em um documento que avaliava o risco de investimento no Banco Master, que apontou uma situação quando enviado à Câmara Municipal e foi publicado no site da instituição com outros termos.

Leia a íntegra do pedido.

Leia a íntegra da determinação.

Compliance Zero

A primeira fase da Operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025. Na ocasião, a Justiça expediu mandados contra integrantes da cúpula do Banco Master, incluindo Daniel Vorcaro. Também foi determinado o afastamento do presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, sob suspeita de participação em operações que teriam levado bilhões de reais ao Master de forma irregular.

Na segunda fase, realizada em janeiro de 2026, o foco da investigação passou a ser o rastreamento do dinheiro e a recuperação de ativos. Nessa etapa, a Justiça autorizou o bloqueio de R$ 5,7 bilhões em bens e valores, além do cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Vorcaro e familiares. Carros de luxo e dinheiro em espécie foram apreendidos.

Já em março deste ano, na fase mais recente da operação, a Polícia Federal disse ter identificado uma estrutura voltada à intimidação de adversários e ao monitoramento de pessoas que investigavam o banco. De acordo com a corporação, o grupo, chamado de "A Turma", funcionaria como uma espécie de milícia privada. Considerado operador para ações violentas de Vorcaro, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apelidado de "Sicário", se matou enquanto estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Belo Horizonte.

As apurações também atingiram servidores do Banco Central, suspeitos de agir em favor de Vorcaro, antecipando informações e facilitando trâmites regulatórios em troca de propina. Nessa etapa, o banqueiro voltou a ser preso, e o STF determinou o bloqueio de até R$ 22 bilhões em bens.

Daniel Vorcaro está preso na Penitenciária Federal em Brasília. Os envolvidos no caso podem responder por crimes como gestão temerária, lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva e obstrução de Justiça.

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