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"Saio muito satisfeito", diz Lula sobre reunião com Donald Trump

Encontro entre presidentes do Brasil e Estados Unidos tratou de temas como comércio, segurança pública e mineração de terras raras.

7/5/2026
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Após mais de três horas de reunião a portas fechadas entre os presidentes Lula e Donald Trump, acompanhados de suas comitivas ministeriais, o chefe de Estado brasileiro afirmou ter saído satisfeito do encontro. As duas delegações discutiram futuros acordos nas áreas de comércio, segurança pública e mineração de terras raras.

"Eu saio muito, muito satisfeito da reunião. Acho que foi uma reunião importante para o Brasil e importante para os Estados Unidos. Eu sempre acho que a fotografia vale muito. E vocês perceberam que o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. E eu fiz questão de dizer para ele rir", declarou Lula.

Veja a fala:

Este foi o terceiro e mais longo encontro presencial entre os dois presidentes. O primeiro ocorreu em setembro de 2025, durante a Assembleia-Geral da ONU, quando conversaram por poucos segundos. No mês seguinte, estiveram reunidos na Malásia por 45 minutos. Desde então, mantiveram contato apenas por videoconferência.

Comércio bilateral

O principal ponto de atrito nas relações entre Brasil e Estados Unidos desde a posse de Trump tem sido a tentativa de encontrar uma solução para as tarifas impostas pelo governo americano a produtos brasileiros. Washington acusa o governo brasileiro de protecionismo, enquanto o Planalto destaca que a balança comercial favorece os americanos.

Durante a reunião, Lula sugeriu a criação de um acordo tarifário conjunto, a ser elaborado ao longo de um mês pelas equipes econômicas dos dois países.

"Eu falei assim: vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço da Indústria do Comércio do Brasil, junto com o seu moço do comércio, sente em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo", relatou.

Na avaliação do presidente, uma vez concluída a proposta, "quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder. Se vocês tiverem que ceder, vocês vão ter que ceder".

Segurança pública

Lula afirmou que a reunião não abordou a possibilidade de classificar facções criminosas brasileiras como o Comando Vermelho e o PCC como grupos terroristas, mas destacou avanços no diálogo sobre cooperação em segurança pública.

Assim como no debate econômico, o presidente defendeu a criação de um grupo de trabalho com representantes do Brasil, Estados Unidos e demais países do continente americano para enfrentar o crime organizado de forma conjunta.

"Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos e o Brasil tem expertise", disse Lula.

O presIdente também convidou os Estados Unidos a integrarem o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus, que reúne agentes e delegados de diversos países para enfrentar o tráfico de drogas transnacional.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que os dois países assumiram o compromisso de colaborar no combate à lavagem de dinheiro.

Ele apresentou relatórios sobre o uso de fundos de investimento instalados em Delaware por organizações criminosas brasileiras, com o objetivo de ampliar o compartilhamento de informações e agilizar o bloqueio desses recursos.

Terras raras

A reunião ocorreu um dia após a Câmara dos Deputados aprovar o projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, que cria normas para governança, investimentos, comércio, pesquisa e integração desses recursos à cadeia produtiva nacional. O texto segue para votação no Senado, com apoio do governo pela manutenção.

Lula comentou com Trump sobre a proposta em tramitação e afirmou que o Brasil está aberto a parcerias internacionais para a exploração de terras raras e outros minerais estratégicos, desde que os acordos sejam vantajosos para ambos os lados.

Para o presidente, a abertura não se restringe aos Estados Unidos. "Quem quiser participar conosco para ajudar a gente a fazer a mineração, para fazer a separação e para produzir a riqueza que essas terras raras nos oferecem, estão sendo convidados para vir ao Brasil".

Elogio de Trump

Após o encontro, Donald Trump se pronunciou em nota em sua rede social, a Truth Social, onde se referiu a Lula como "o muito dinâmico presidente do Brasil".

"Discutimos diversos tópicos, incluindo comércio e, especialmente, tarifas. O encontro seguiu muito bem. Nossos representantes estão programados para se encontrar e discutir certos elementos chave. Novas reuniões serão marcadas ao longo dos próximos meses, conforme necessário", comentou.

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