A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (12) a Operação Castratio, que investiga suspeitas de fraudes em contratos ligados à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro. O principal alvo da ação é o deputado federal Marcelo Queiroz (PSDB-RJ), que comandava a pasta no período em que os contratos foram firmados, no governo de Cláudio Castro (PL).
Segundo a PF, os contratos sob suspeita somam cerca de R$ 200 milhões e envolvem serviços de castração e esterilização de animais. A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e cumpre 12 mandados de busca e apreensão. A investigação tramita no Supremo porque envolve parlamentar com foro privilegiado.
Buscas no Rio e em São Paulo
As diligências ocorrem em cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo. No primeiro Estado, os mandados são cumpridos na capital, em Niterói, Macaé e Itaocara. Em São Paulo, a PF atua nos municípios de São Roque e Mairinque.
Marcelo Queiroz foi abordado por agentes da Polícia Federal no Aeroporto Santos Dumont, no Rio, quando se preparava para embarcar para Brasília. O celular do deputado foi apreendido durante a ação.
Suspeita de direcionamento
A investigação apura indícios de direcionamento de licitação, superfaturamento e fraude no processo de contratação entre o governo estadual e uma empresa privada. Os investigadores suspeitam que o caráter competitivo das licitações tenha sido comprometido para favorecer contratos específicos.
A Polícia Federal também apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Os envolvidos poderão responder ainda por fraude à licitação e por outros crimes que venham a ser identificados no decorrer da investigação.
Contratos de castração
Os contratos investigados tinham como objetivo a prestação de serviços de castração e esterilização de animais. A área era uma das bandeiras políticas de Marcelo Queiroz, que se apresenta publicamente como defensor da causa animal. Em página própria, o deputado afirma ter idealizado um programa de castração gratuita quando foi secretário no governo do Rio.
A PF busca reunir documentos, aparelhos eletrônicos e outros elementos que possam esclarecer a atuação dos investigados e a eventual participação de cada um no suposto esquema. O material apreendido será analisado no curso da apuração.
Novas diligências
Segundo a Polícia Federal, novas diligências não estão descartadas. A Operação Castratio mira um grupo suspeito de manipular processos de contratação vinculados à Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Rio de Janeiro no período em que Marcelo Queiroz comandava a pasta.