A divulgação de áudios e mensagens em que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobra dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, abriu uma crise pública entre nomes da direita. O ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência, classificou o pedido como "imperdoável". Em resposta, Eduardo Bolsonaro acusou Zema de ser "baixo" e "vil". Carlos Bolsonaro também atacou o ex-governador, enquanto o senador Rogério Marinho (PL-RN) chamou o pré-candidato do Novo de oportunista.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Zema afirmou que a cobrança feita por Flávio a Vorcaro é "um tapa na cara dos brasileiros de bem".
"Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta nada criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa", declarou o ex-governador. Zema também disse que "é preciso ter credibilidade para mudar o Brasil".
Até então, Flávio e Zema mantinham relação de proximidade política e eram apontados como possíveis aliados na eleição presidencial. Em abril, um vídeo publicado nas redes sociais mostrou, em tom descontraído, o ex-governador sugerindo que o senador fosse seu vice em uma eventual chapa. O nome de Zema também era cotado para compor uma eventual chapa de Flávio.
Reação de Eduardo
Eduardo Bolsonaro reagiu poucas horas depois. Em publicação no X, antigo Twitter, ele acusou Zema de se aproveitar politicamente da crise e disse que o ex-governador não ouviu "o outro lado".
Carlos Bolsonaro eleva o tom
Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina e também irmão de Flávio, saiu em defesa do senador e atacou Zema. O ex-vereador do Rio de Janeiro chamou o ex-governador de "engolidor de casca de banana" e afirmou que ele estaria "passando de todos os limites".
"Não dá! O engolidor de casca de banana está passando de todos os limites", escreveu Carlos, em referência ao vídeo em que Zema aparece comendo uma banana com casca para ironizar o aumento de preços no governo Lula.
Carlos completou a crítica cobrando reação de parlamentares aliados.
"Cadê os parlamentares para defender a verdade? Não me venha dizer que é ataque. É apenas constatação frente mais uma bizarra apresentação. Da próxima vez acende morteiro sabe onde, fechador de loja alheia e abridor de portas particulares", afirmou.
Marinho chama Zema de oportunista
Coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro e líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), também criticou Zema. O senador chamou o ex-governador de oportunista, reforçando a reação do núcleo bolsonarista contra o pré-candidato do Novo.
A ofensiva ampliou o desgaste entre aliados que, até então, vinham sendo tratados como possíveis integrantes de uma mesma composição eleitoral para 2026.
Áudio com Vorcaro
A crise começou após o Intercept Brasil divulgar mensagens e áudios atribuídos a Flávio Bolsonaro em conversas com Daniel Vorcaro. Segundo a reportagem, o senador pediu recursos para financiar Dark Horse, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a apuração, pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025 para financiar o projeto cinematográfico. O valor total negociado seria de US$ 24 milhões, aproximadamente R$ 134 milhões.
Flávio admitiu ter buscado recursos com Vorcaro, mas negou irregularidades. O senador afirmou que se tratava de "patrocínio privado para um filme privado" sobre a história do pai. Ele também negou ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido recursos pessoalmente.
Disputa na direita
A troca de ataques expôs a tensão entre bolsonaristas e Zema em meio à disputa pela liderança da direita na eleição presidencial. O ex-governador tenta se apresentar como alternativa competitiva ao Planalto, enquanto Flávio passou a ser apontado como uma das opções do PL diante da inelegibilidade de Jair Bolsonaro.
A crítica de Zema provocou reação imediata de aliados do clã Bolsonaro. Parlamentares bolsonaristas acusaram o ex-governador de oportunismo e de tentar explorar politicamente a crise envolvendo Flávio e Vorcaro.
Daniel Vorcaro está preso no âmbito das investigações sobre o Banco Master. A Polícia Federal apura suspeitas de fraudes no sistema financeiro em um caso que passou a atingir empresários, operadores financeiros e políticos ligados ao ex-banqueiro. As fraudes investigadas podem chegar a R$ 12 bilhões, segundo a PF.