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Audiência na Câmara debate risco de extinção dos jumentos no Brasil

Projeto parado na CCJ há mais de dois anos voltou ao centro das discussões sobre proteção animal.

18/5/2026
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Cientistas, veterinários e ambientalistas alertaram na última quinta-feira (14), em audiência pública da Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados, para o risco de extinção dos jumentos no Brasil.

Durante o debate, especialistas cobraram a aprovação do projeto de lei 2.387/22, que proíbe o abate desses animais para consumo, comércio ou exportação.

Dados apresentados pela organização internacional The Donkey Sanctuary mostram que a população de jumentos no país caiu de cerca de 1,3 milhão no fim da década de 1990 para aproximadamente 78 mil em 2025, uma redução de 94%.

Segundo a entidade, a espécie pode desaparecer do território brasileiro até 2030 se o ritmo atual de exploração continuar.

O principal fator apontado para a queda populacional é o crescimento do comércio internacional da pele do animal, utilizada na fabricação do ejiao, produto da medicina tradicional chinesa feito à base de colágeno. A carne dos jumentos também vem sendo aproveitada como subproduto para ração animal.

Debate na Câmara discutiu impactos sanitários, ambientais e econômicos ligados ao abate de jumentos para exportação.Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Cadeia de exportação preocupa especialistas

Durante a audiência, o presidente da Comissão de Medicina Veterinária Legal da Bahia, José Roberto Lima, afirmou que o fluxo de abastecimento dos frigoríficos ocorre, em muitos casos, sem rastreabilidade adequada.

Segundo ele, os animais são recolhidos em diferentes estados do Nordeste, agrupados em fazendas e depois encaminhados ao abate para exportação da pele e da carne.

O veterinário alertou que muitos desses jumentos chegam aos estabelecimentos sem histórico sanitário conhecido, o que amplia os riscos de disseminação de doenças.

Entre os problemas já identificados estão casos de anemia infecciosa equina e mormo, enfermidade bacteriana considerada grave e contagiosa.

Lima também apresentou dados sobre exportações realizadas por frigoríficos localizados em municípios da Bahia, como Amargosa, Simões Filho e Itapetinga. Segundo ele, os principais destinos das remessas são China e Hong Kong, embora também haja registros de exportações para países da União Europeia.

Papel ambiental dos jumentos

Além da discussão sobre bem-estar animal, pesquisadores destacaram a importância ecológica dos jumentos, especialmente no bioma da Caatinga.

A coordenadora de campanhas da The Donkey Sanctuary, Patrícia Takemoto, explicou que os animais auxiliam no controle de espécies invasoras, na dispersão de sementes e na recuperação de áreas degradadas.

Segundo ela, estudos científicos também apontam que os jumentos ajudam na manutenção do equilíbrio ecológico em regiões semiáridas ao acessar áreas e consumir vegetações que outras espécies não conseguem aproveitar.

Os especialistas argumentaram ainda que os jumentos não se adaptam a sistemas intensivos de criação, o que inviabilizaria modelos de exploração semelhantes aos usados na pecuária bovina.

Projeto aguarda votação na CCJ

O debate foi solicitado pelo deputado Célio Studart (PSD-CE), que defendeu a votação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O texto já foi aprovado pelas comissões de Agricultura e de Meio Ambiente da Câmara, mas aguarda análise final há mais de dois anos.

Segundo o parlamentar, a demora na tramitação tem impacto direto sobre a preservação da espécie. Ele afirmou que, apenas nesse período em que o projeto permanece parado na CCJ, cerca de 250 mil jumentos morreram.

Studart também defendeu que o Congresso avance em políticas permanentes de proteção animal e de preservação dos rebanhos tradicionais do semiárido nordestino.

Leia o projeto completo.

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