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Plataformas apontam risco de censura em regras eleitorais sobre IA

Audiência na Câmara discutiu impactos das novas regras eleitorais sobre inteligência artificial e responsabilização das plataformas digitais.

22/5/2026
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Representantes de plataformas digitais afirmaram nesta quarta-feira (20), em audiência na Câmara dos Deputados, que as regras do TSE para combater desinformação e uso irregular de inteligência artificial nas eleições podem levar à remoção excessiva de conteúdos legítimos.

A avaliação foi apresentada pela diretora de Relações Institucionais do Conselho Digital, Roberta Jacarandá, em debate da Comissão de Comunicação. A entidade representa empresas como Meta, TikTok, Kwai, Amazon e Discord.

Segundo Roberta, a principal dificuldade está na aplicação da Resolução 23.755/26, editada pelo TSE em março. Para ela, termos subjetivos da norma dificultam a análise automatizada das publicações e ampliam a insegurança jurídica.

Ela citou como exemplo a definição de "conteúdos notoriamente inverídicos", que, segundo as plataformas, abre margem para interpretações divergentes.

"Ao mesmo tempo em que não se quer uma intervenção no debate público, cria-se um incentivo para que as plataformas atuem preventivamente, sem decisão judicial. Isso coloca as empresas diante de dois riscos: ou são acusadas de censura, ou acabam responsabilizadas pela permanência do conteúdo."

Empresas digitais veem subjetividade em norma eleitoral sobre IA.Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Resolução prevê restrições ao uso de IA

As regras aprovadas pelo TSE determinam que candidatos e campanhas informem de forma explícita quando utilizarem conteúdos produzidos ou manipulados por inteligência artificial.

A resolução também proíbe a divulgação de conteúdos gerados por IA no período entre 72 horas antes e 24 horas após a votação. O descumprimento pode resultar em multas, sanções administrativas e investigações por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação.

Durante a audiência, representantes do governo defenderam as medidas adotadas pela Justiça Eleitoral.

O superintendente de Regulação da ANPD, Lucas Carvalho, afirmou que as normas não proíbem o uso de inteligência artificial nas campanhas, mas estabelecem parâmetros de transparência semelhantes aos já aplicados em eleições anteriores.

"O que se busca é adaptar ao ambiente digital regras básicas de convivência democrática. Não se pode manipular nem mentir", declarou.

Governo cita ameaça de deepfakes

Representando a AGU, Raphael Monteiro afirmou que o avanço das ferramentas de IA aumentou os riscos para o processo eleitoral, principalmente com a circulação de deepfakes e conteúdos falsos de alta capacidade de convencimento.

Segundo ele, as resoluções do TSE são necessárias para preservar a igualdade entre candidatos e proteger a confiança do eleitorado.

"A premissa básica da Justiça Eleitoral é garantir a paridade de armas", disse.

Fiscalização em tempo real preocupa deputados

A presidente da Comissão de Comunicação, deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), questionou se as plataformas possuem estrutura suficiente para monitorar conteúdos em tempo real durante as eleições.

Em resposta, Roberta Jacarandá afirmou que o volume diário de publicações torna inviável uma moderação totalmente humana. Por isso, segundo ela, as empresas dependem de sistemas automatizados, o que aumenta o risco de remoção equivocada de conteúdos legítimos.

Ela defendeu que o combate à desinformação seja feito sem comprometer a liberdade de expressão e alertou para possíveis efeitos colaterais das regras eleitorais.

"As intenções são legítimas e necessárias, mas a forma de aplicação precisa considerar os impactos práticos", afirmou.

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